Saudações florais

Escrevo esse post do quarto de uma pousada ao lado do Bach Centre, na pequena localidade de Brightwell-cum-Sotwell, Oxfordshire, Inglaterra. O centro também é conhecido como Mount Vernon: trata-se da casa onde Dr. Edward Bach fabricava e receitava seus famosos remédios florais na década de 30. Estou aqui por dois dias para fazer a primeira etapa do curso de formação em florais, que é oferecido em três fases algumas vezes por ano, em várias localidades do mundo credenciadas pelo centro.

A fase 1 é uma introdução bem básica aos modos de preparar, auto-aplicar e/ou receitar os 38 remédios desenvolvidos pelo Dr. Bach, com um pouco de teoria e bastante prática. A turma da qual estou participando tem cerca de 12 pessoas, vindas das mais diversas partes do mundo (como Inglaterra, Escócia, Hungria, México, Chile, Itália); todas mulheres na faixa etária de 25 a 45 anos. A maioria parece ter vindo com a intenção de cumprir todas as fases e se tornar terapeuta oficial do sistema Bach; menos pessoas inscreveram-se para conhecer mais de perto a filosofia e as essências sem planos muito definidos do que fazer com o conhecimento depois – meu caso.

Estou bem feliz de estar aqui. Um dos primeiros brinquedos que vagamente me lembro de ter desejado quando criança era um kit da Estrela chamado Alquimia, em que se misturavam substâncias simples para chegar a compostos mais complexos. Por algum motivo, aquilo me encantava, e tendo tido hoje a oportunidade de preparar uma solução sob medida para as minhas próprias dificuldades emocionais, fui remetida diretamente àquela gostosa sensação de fascínio pelo preparo alquímico.

Já quando adolescente, minha dúvida para o vestibular por um bom tempo foi entre psicologia e agronomia: seria mais legal estudar pessoas ou plantas? Por esses e outros motivos, voltar a ter contato mais próximo com o mundo botânico tem sido ao mesmo tempo lúdico, significativo e reconfortante.

Devo apenas dizer, sob o risco de estar sendo precipitada, que mesmo admirando e acreditando nos princípios curativos das plantas e das flores, o pouco que aprendi hoje me fez pensar num aspecto da utilização dos florais que, confesso, me incomodou um pouco: o risco de alguém se tornar altamente floral-dependente, de uma forma desengajada do processo de auto-conhecimento. Em alguns casos parece acontecer uma transferência da responsabilidade pelo crescimento pessoal para a garrafinha da solução, o que no longo prazo não surtiria efeitos sustentáveis. Notei isso através de alguns relatos, por exemplo, de pessoas dizendo que há muitos anos não saem de casa sem determinadas garrafinhas na bolsa, ou que têm feito uso crônico e intensivo dos florais para as situações mais corriqueiras da vida.

Quero crer que esse é um risco que o curso aborda em algum ponto da formação, e que pode ser trabalhado e evitado por um terapeuta responsável. O sistema preza pela simplicidade, o que é bom e faz sentido porque permite o seu amplo alcance. Mas para algumas pessoas isso parece significar uma licença para lidar com problemas emocionais complexos através de soluções mágicas, negligenciando as indispensáveis doses de auto análise que esse tipo de esforço requer.

Independente disso, a experiência como um todo está sendo ótima. O curso em si é pessoalmente e profissionalmente enriquecedor, e está sendo bem legal realizá-lo na atmosfera da pequena casa e do singelo jardim onde o sistema foi concebido e consolidado. Parte das matrizes dos remédios é fabricada nesse local até hoje, colhendo-se as flores do jardim nas devidas estações e preparando as matrizes à moda original. A beleza bucólica do lugar é encantadora, e as energias das plantas e flores são altamente revigorantes – especialmente num dia fresco e ensolarado de primavera como foi o de hoje.

Abraços, com a energia das flores, para os amigos e leitores do blog.

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