Pequena e Grande

Quando estou pequena…
Me perco nos detalhes do cotidiano.
Duvido do meu valor e da minha beleza.
Duvido da minha capacidade, desisto de meus desejos e me perco em distrações.
Irrita-me o mau atendimento do funcionário, o destempero no trânsito, a pequenez do interpelador xenófobo. Me deprimo e me revolto com os fatos do noticiário.
Congelo de medo de perder as alegrias já conquistadas. Sinto culpa por coisas que fiz e deixei de fazer.
Engrosso o caldo das emoções densas da humanidade. Iludida, me isolo em altivez orgulhosa.
Duvido da lógica de Deus.
Perco temporariamente a conexão e a inspiração. O criar, que às vezes flui tão bem, se torna algo tão distante!
Me percebo pequena… começo a orar.

***

Quando estou grande…
A imensidão é minha casa.
Uma flor me emociona. E a densidade cinza urbana também.
Se instala em mim um olhar de poesia. É como estar apaixonada.
Compreendo serena as tragédias e injustiças da Terra… como quem assiste a um teatro sabendo que um dia tudo se encaixa no devido lugar.
Sorrio com placidez. Levo tudo com maior leveza.
Me encho de coragem perante a vida e as dificuldades que ela certamente trará.
Me centro naquela paz que não é desse mundo… e que por dele não sê-la só é compreendida por poucos.
Converso com bons espíritos que me ajudam com intuições. Vejo com nitidez a minha bússola existencial. Renovo o ânimo de segui-la.
Respeito a experiência alheia. Admiro as pessoas, conhecidas e anônimas, boas e más. Sei que fazem o melhor que sabem, mesmo quando esse saber ainda é pouco.
Confio no potencial humano – ele se revela no brilho dos olhares. Sou grata por também ter a chance de evoluir.
Me liberto, e liberto a todos de qualquer fardo emocional.
Nada me amarra e não amarro ninguém.
Podemos caminhar juntos… até um dia aprendermos a voar.

***

Entre ser pequena e grande, vou aprendendo a ser um pouco mais inteira. E a me expressar com um pouco mais de verdade.

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