Provocações espiritualistas à filosofia

Revisando alguns posts que tenho em rascunho no blog, encontrei esse pequeno texto do Osho, que tinha separado há mais de um ano, depois de lê-lo em algum lugar na internet e sentir profunda ressonância com a questão que coloca. O texto é uma pequena-grande provocação a respeito da diferença entre a filosofia (e por extensão a sua filha, a ciência) e a espiritualidade (a que ele, mesmo sendo um crítico dos sistemas religiosos fechados, chama de religião, no sentido de religação com a realidade divina).

Escrevi num post anterior sobre a forma com que esse tema se faz presente na minha trajetória. Hoje, na iminência de concluir mais uma etapa da minha formação filosófica em psicoterapia, decidi publicá-lo, para marcar a pertinência e a atualidade da reflexão, que continuo levando comigo na tentativa de equilibrar possibilidades e talentos, fé e discernimento, verdade e responsabilidade.

Então, vamos a ele:

O Ah! das coisas – Osho

“Uma pessoa deve entender o Ah! das coisas e então tudo é compreendido.

Dizem que a filosofia começa com o maravilhar-se. Talvez. Mas a filosofia sempre tenta destruir a maravilha – ela quer matar sua mãe.

Todo o esforço da filosofia é desmistificar a existência.

Quanto mais você acha que sabe, menos você tem respeito, maravilha, reverência, amor. A existência então parece estar no passado, sem relevo; não há mais nenhum mistério nela.

E é claro que, quando não houver nenhum mistério no exterior, não há nenhuma poesia no interior. Eles andam juntos, são paralelos: mistério no exterior, poesia no interior.

A poesia só pode surgir se a vida permanecer merecendo ser explorada. No momento que você sabe, a poesia morre; o ato de conhecer é a morte de tudo aquilo que é bonito em você.

E, com a morte da poesia, você vive uma vida que não vale a pena ser vivida – não pode ter significação, não pode ter nenhuma celebração.

Não pode florescer, não pode dançar; você só pode se arrastar.

Então, talvez aqueles que dizem que a filosofia começa com o maravilhar-se estejam certos, mas eu gostaria de acrescentar mais uma coisa: ela tenta matar sua mãe.

A religião nasce com o maravilhar-se, vive com o maravilhar-se.

A religião inicia com o maravilhar-se e termina com mais maravilhar-se.
Essa é a diferença entre a filosofia e a religião – ambas podem ter o seu começo com o maravilhar-se, mas depois elas pegam caminhos separados.

A religião começa procurando compreender os mistérios e descobre que esses mistérios vão se aprofundando.

Quanto mais você sabe, menos sabe, e o resultado do saber é a ignorância.

Você fica totalmente ignorante, não sabe absolutamente nada.
Um estado de inocência é alcançado.

Nesse estado de inocência, a poesia atinge sua perfeição. Essa poesia é a religião.”

Osho em A Revolução: Conversas Sobre Kabir

stars-in-the-eyes

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *