O fim de ano de dentro

A chegada ao final de mais um ano do calendário humano estimula as reflexões e os balanços, como é característico de todo fim simbólico. Meu tema pessoal para balanço este ano é o silêncio interior.

Em tempos de internet, o ruído anda muito alto. Mas não dá para culpar nenhum objeto externo: o que está fora só reflete o que está dentro. É por dentro que a reforma se faz necessária.

Aos períodos de fome por estímulos seguem-se os de fastio. À busca desenfreada por ruídos segue-se a fadiga mental e emocional.

E nasce assim o anseio pelo silêncio. É como diz o poeta:

Estou cansado de falar,
De falar com os homens,
De falar comigo mesmo
Estou cansado até de falar com Deus…
Todas as minhas perguntas,
Ruidosas,
Insistentes,
Sangrentas,
Esbarram sempre com muralhas de granito,
Resvalam sempre de paredes marmóreas,
Agonizam sempre, exaustas, sem resposta…
Por que todo esse falar?
Esse intérmino interrogar?
Esse estéril pesquisar?
Resolvi substituir o ruidoso falar
Pelo silencioso calar.
O ruído é dos homens,
O silêncio é de Deus.

O poema – Anseio do Silêncio, de Huberto Rohden – continua, mas eu o reproduzo só até este ponto, porque diferente do autor, ainda não “convalesci da enfermidade dos ruídos para a grande sanidade do silêncio”. Então deixo aqui esta nota mental, para não esquecer da necessidade de avançar neste sentido.

Deixo também o desejo de que mais silentes, possamos ser mais felizes.

Um feliz fim de ano a todos.

winter_bird

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