Lixo bem vigiado

A lixeira do nosso prédio vive sendo cenário de barraco. É uma lixeira externa que fica próxima da passagem de pedestres para uma estação de metrô, então sempre tem muita gente passando por ali. Os moradores vivem se queixando que os passantes usam o espaço pra se desfazer de todo tipo de tralha, desorganizando a coleta do condomínio e emporcalhando a área – até como mictório os bêbados noturnos já usaram!

Passeando hoje com minha bebê no colo na frente do prédio, pra pegar um solzinho gostoso de outono, passa por nós um grupo de ciclistas. Todos vestidos com coletes amarelo fluorescente, havia adultos, idosos e crianças. Nas pontas da frente e de trás do grupo, dois policiais cuidavam da segurança do passeio. Eles também pedalavam e vestiam coletes amarelos quase idênticos – a diferença sendo a estampa nas costas “Metropolitan Police”. O grupo parou ao lado da lixeira pra esperar os atrasados, tomar uma aguinha e se reorganizar. Eu e a bebê ali perto, curtindo o jardim do prédio e aquela cena legal, de um passeio comunitário numa linda manhã de sol.

De repente sai do nosso bloco um cara magro, meia idade, carregando uma sacolinha de lixo. Vai em direção à lixeira, e joga a sacola por cima do portão, saindo apressado em direção ao metrô. Um dos policiais, que não tinha visto de onde o homem tinha saído, desconfiou do movimento do sujeito e o abordou com educação: “Excuse me Sir, what have you just thrown in there?” (Com licença senhor, o que o senhor acabou de jogar ali?). O senhor aparentemente não entendia inglês e não percebeu que se tratava de um policial, visto que a roupa era quase igual a de todos os ciclistas. Ignorou a pergunta, fez algum gesto dispensando o diálogo e seguiu em frente.

A policial da outra ponta ficou possessa com a atitude do homem e veio atrás dele gritando HEY! STOP! POLICE! What have you just thrown in there? – e pegou o homem pelo braço pra ir vasculhar a sacolinha. O homem, perplexo, mostrou o seu lixo pros policiais, que aliviaram a tensão do rosto e dispensaram o homem pedindo desculpas.

Uma vizinha do prédio, que dia desses me viu jogando lixo apressada à noite e implicou comigo, achando que eu era uma passante, saía nessa hora pra pegar o carro e veio me perguntar o que tava rolando. Expliquei o mal entendido do policial e aproveitei para resolver a tensão do outro dia com ela, comentando bem humorada sobre como essa lixeira tá dando o que falar.

Nunca vi um lixo tão bem vigiado.

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