Liberdade e compromisso

Tradução adaptada do original em Inglês

Escutei uma conversa outro dia no café de uma universidade que me deixou um pouco mais esperançosa quanto à humanidade. Alguns jovens estudantes estavam sentados em círculo, em sofás e cadeiras confortáveis, degustando seus lattes e capuccinos, quando um deles se virou para o outro e perguntou quais eram as suas ideias a respeito de ‘ser livre’ e de se ‘fazer o que quiser’. Mais especificamente, o objeto de discussão era a liberdade de não comparecer às aulas que os estudantes não achassem particularmente interessantes.

A resposta que se seguiu me surpreendeu em função da sua maturidade e perspicácia, algo que eu não teria automaticamente esperado de um jovem rapaz de vinte e poucos anos. Mas então fui lembrada de que existem por aí pessoas excepcionais, com uma atitude mais madura do que a média para a sua idade perante a vida. Eis o que ele respondeu:

“Penso que como estudante você é livre para fazer o que quiser, mas que com os seus atos vêm as consequências.” Ele prosseguiu, enquanto todos escutavam atentamente: “E você precisa estar preparado para aceitar as mesmas, como por exemplo, reprovar na matéria. Desde que você esteja disposto a aceitar as consequências, você é livre para fazer o que quiser. Com a liberdade vem a responsabilidade”.

À sua fala seguiram-se sobriedade e reflexão silenciosa no grupo. Havia claramente sabedoria e verdade naquela afirmação.

Com frequência pensamos que liberdade é fazer o que quer que vem à mente, seguir nossos impulsos e saciar nossas vontades. O problema é que nunca parecemos tão bem dispostos para aceitar a responsabilidade pelas consequências trazidas por essa suposta liberdade. Como somos parte de um mecanismo maior, nossas ações sempre irão desencadear reações – este, aliás, é precisamente o sentido do conceito espiritual de carma.

Na realidade, somos muito inclinados a dar livre vazão às nossas causas descuidadas, ao mesmo tempo em que tendemos a esquecer e recusar a responsabilidade pelas reações desencadeadas.

As observações daquele jovem garoto imediatamente trouxeram à tona esses pensamentos sobre carma, e me fizeram lembrar de um dos livros mais iluminadores que já li sobre o tema da liberdade, de um pensador espiritual que admiro profundamente, Omraam Mikhaël Aïvanhov.

Sua ideia central é a de que não existe algo como liberdade absoluta para a humanidade – ela é reservada ao Criador apenas. Quando alguém está livre de certas circunstâncias, está comprometido com outras. A verdadeira questão, assim, é escolher sabiamente de quais amarras libertar-se e a quais prender-se. Aqui está como ele lindamente coloca isto:

Você deve se libertar, é verdade, mas para limitar a si mesmo. Você deve se libertar internamente de todos os seus instintos e tendências baixas para se amarrar a algo mais elevado, para trabalhar para a coletividade. Este, para mim, é o verdadeiro significado da vida e da liberdade. A felicidade e a alegria consistem em libertar a si mesmo, não em se eximir de suas obrigações, mas em libertar a si mesmo internamente de todas as próprias fraquezas para comprometer-se ainda mais integralmente a ajudar outros. Sim, se você quer ser internamente livre, você deve começar por limitar a si mesmo e sacrificar certas coisas para comprometer-se mais plenamente.” (Aïvanhov, in: Freedom, the Spirit Triumphant)

Libertar-nos de nossas fraquezas e vontades egoístas para nos comprometermos mais plenamente com o auto crescimento e a melhora coletiva: eis uma perspectiva surpreendentemente verdadeira e generosa acerca do que a liberdade realmente é.

Celtic cross of commitment

Image: Celtic Cross of Commitment, by Wild Goose Studio

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