Arquivo da categoria: Espiritualidade

Como melhorar a manifestação do Amor

A questão dos princípios masculino e feminino é uma das temáticas espirituais que considero mais fascinantes para estudo, meditação e auto aperfeiçoamento. A abordagem espiritual do tema traz inúmeros desdobramentos e pontos para reflexão, entre eles, o tema central do Amor enquanto força divina de Vida.

O Mestre Omraam Mikhaël Aïvanhov tratou deste tema em profundidade, notadamente nos volumes 14 e 15 das Obras Completas (ainda não disponíveis em Português). Uma versão mais condensada das ideias contidas nestes escritos pode ser lida no igualmente brilhante “O Masculino e o Feminino, Princípios da Criação“.

O trecho reproduzido a seguir, gentilmente enviado via newsletter pela Publicações Maitreya, inspira a todos aqueles que se preocupam em melhorar a sua manifestação no mundo, incluindo aí a arte de melhor Amar.

Como melhorar a manifestação do Amor

Extrato de “O Masculino e o Feminino, Princípios da Criação“, de Omraam Mikhaël Aïvanhov

“Com o decorrer das eras, o conceito de amor evoluiu. Os primitivos comportavam-se neste domínio com uma violência, uma brutalidade e uma sensualidade indescritíveis. Eram oceanos desenfreados, vulcões em erupção. Com o tempo, com o despertar da consciência e da sensibilidade, novos elementos se juntaram: a ternura, a subtileza, a delicadeza… No entanto, ainda hoje, na maioria dos casos, o amor continua a ser uma manifestação primitiva.

O amor passional, instintivo, que se praticou durante milênios, gravou-se tão profundamente no homem que ele agora não sabe como refiná-lo, como torná-lo mais nobre, e, por enquanto, amar continua a parecer-se com uma carnificina: as pessoas atiram-se umas sobre as outras, brutalmente, sem preparação, sem estética, sem poesia. Têm fome e então comem, regalam-se e ficam saciadas por um tempo; depois, voltam a ter fome e novamente se atiram à comida.

Muitas, mesmo as que pertencem a uma sociedade que se diz culta, praticam o amor como selvagens: sem qualquer poesia, qualquer beleza, qualquer harmonia, nada… Elas devoram-se! E, mesmo que se esforcem por oferecer ao seu parceiro um comportamento mais requintado, isso ainda não é o verdadeiro amor, são apenas uns adornozinhos.

O amor é um impulso magnífico, mas misturam- se nele imensos elementos passionais que impedem o aparecimento da sua verdadeira natureza…

Observai os animais quando nascem: um cãozinho, um vitelinho, um cabritinho… Eles não estão muito asseados e a mãe limpa-os. E também se dá um banho às crianças recém-nascidas. Pois bem, com o amor deve-se fazer a mesma coisa.

O amor é um filho divino, porque em toda e qualquer forma de amor existe Deus, mas é preciso limpar o amor, purificá-lo, educá-lo, reforçá-lo, libertá-lo, para se descobrir a Divindade. Mesmo o amor mais egoísta, mais inferior, mais sensual, contém uma quinta-essência divina, mas coberta com demasiados elementos heteróclitos, porque, no seu trajeto, ele teve de atravessar certos lugares que não estavam nada limpos: chaminés, caminhos lamacentos…

Mesmo as melhores coisas que vêm do Céu têm de atravessar as camadas que nós acumulamos; pensamentos e desejos inferiores, e toda a espécie de elucubrações mentirosas. Por isso, por agora elas estão envolvidas em sujidade; são pedras preciosas que precisam de ser limpas. Enquanto o homem não pensar em purificar-se, todos os impulsos, ímpetos e forças vindos do Céu serão deformados.

O amor é a vida divina que desce às regiões inferiores para as invadir, as regar, as vivificar. É a mesma energia que a energia solar, a mesma luz, o mesmo calor, a mesma vida, mas, ao vir até nós como um rio, carrega-se com as impurezas das regiões que é obrigada a atravessar. Ela brotou, pura e cristalina, do cume das altas montanhas, mas tornou-se irreconhecível por causa da sua descida às camadas inferiores, entre os humanos, que consideram o amor unicamente como um meio de ter prazer ou de perpetuar a espécie.

Então, põe-se a questão: posto que se trata de uma energia divina, a mais poderosa e a mais essencial, como torná-la de novo tão pura como era no começo, na sua origem?…

Primeiro, deve-se saber que o amor tem milhares de graus, ou degraus, do mais grosseiro ao mais subtil, e que é possível subir esses degraus. Pelo pensamento desperto, pela atenção concentrada, por um controlo inteligente, pode fazer-se um trabalho sobre si próprio para que esta energia se torne de novo tão límpida como a luz do sol e aja beneficamente por toda a parte onde passar, em vez de demolir e de destruir.

Há, pois, algumas regras a conhecer, mas, para as aplicar, não tereis de esperar até ter a vossa amada nos braços durante o amor. Elas devem ser aprendidas nas atividades quotidianas, muito antes de se desencadearem os processos do amor.

Tomemos um exemplo. Todos os dias vós deveis comer. Mas, quando estais à mesa, não engolis tudo o que tendes no prato; fazeis escolhas. Sejam mariscos, peixes, queijos, legumes ou frutos, há sempre alguma coisa grosseira ou indigesta que se deve lavar ou deitar fora. O homem, que é mais evoluído do que os animais, faz escolhas na comida; os animais não fazem. Mas, quando se trata de sentimentos e de pensamentos, ele já não faz qualquer seleção, engole tudo.

Por quê? Por que é que os seres que se amam, quando querem abraçar-se e beijar-se, nunca pensam em eliminar primeiro as impurezas daquilo que vão “comer”? Muitas vezes, nos seus sentimentos, nos seus beijos, eles deixaram infiltrar-se germes de doenças e de morte que a sua inconsciência não lhes permitiu ver e eliminar.

Sim, a morte infiltra-se no amor inferior, o amor estúpido em que não há consciência, nem controlo, nem luz. E é este amor que, por todo o lado, é tão cantado, louvado, glorificado! Ninguém conhece um outro amor e, se falardes dele, as pessoas olharão para vós pensando que estais loucos.

Tudo começa pela nutrição. Antes de ir para a mesa, lava-se as mãos e, antigamente, até se dizia uma oração para convidar o Senhor a partilhar a refeição. Talvez ainda haja camponeses que continuam a fazê-lo, mas as pessoas cultas acabaram com essas tradições. É a isto que a inteligência e a cultura conduzem os humanos!…

Lavar as mãos e convidar o Senhor para a mesa eram práticas que continham um sentido profundo, e os Iniciados que as introduziram queriam dizer aos seus discípulos: «Do mesmo modo, antes de amar um ser, antes de o tomar nos braços, convidai os anjos a participar nesse banquete; mas, primeiro, lavai as mãos, isto é, purificai-vos, tende a vontade de não sujar esse ser, de não lhe passar as vossas doenças, o vosso desalento, a vossa tristeza.»

Mas, em geral, como é que as coisas se passam? O rapaz está infeliz, “nas lonas”, e, para se reconfortar, tem necessidade de abraçar e beijar a sua namorada. Então, o que é que ele lhe dá? Ele tira-lhe tudo – as forças, a alegria, as inspirações – e em troca só lhe dá sujidades! Em tais circunstâncias, ele não devia abraçá-la, mas sim pensar: «Hoje estou pobre, miserável, sujo. Então, vou preparar-me, lavar-me e, quando estiver verdadeiramente em bom estado, irei levar-lhe a minha riqueza.»

Nunca se pensa assim, mas no futuro, quando houver compreensão, ficar-se-á envergonhado e enojado ao ver a fealdade com que se amou os outros. Vós direis: «Mas toda a gente faz assim; quando se está triste, tem-se necessidade de ser consolado.» Não é porque toda a gente é inconsciente e egoísta que vós também deveis sê-lo!

No futuro, todos aprenderão a amar como o sol, como os anjos, como os grandes Mestres, que, no seu amor, jamais tiram; pelo contrário, eles dão sempre.

Há dias em que vos sentis pobres; nesses dias, mantende-vos afastados da vossa amada, senão a lei virá perguntar-vos por que é que a roubastes. As pessoas são extraordinárias: quando se sentem bem, distribuem as suas riquezas a quem quer que seja, mas, quando estão infelizes, desesperadas, vêm espoliar aqueles que amam. Comportam-se como ladrões; sim, autênticos ladrões.

Portanto, quer para o amor, quer para a nutrição, a primeira regra é não comer o alimento que está diante de vós sem ter feito previamente uma seleção. Por isso, é preciso saber a diferença entre um sentimento e outro: um sentimento egoísta e um sentimento desinteressado, um sentimento que limita e um sentimento que liberta, um sentimento que perturba e um sentimento que harmoniza…

Mas, para se poder classificar os sentimentos, é preciso estar vigilante, pois, se fordes tocados por um impulso cego e a vossa atenção estiver adormecida, não estareis presentes na fronteira para ver se se trata de inimigos que estão a infiltrar-se para minar o vosso reino. A vigilância, a atenção e o controlo são necessários para não vos deixardes levar.

Ora, no seu amor, as pessoas só pensam em deixar-se levar. Suprimir o pensamento, a consciência, ficar inebriado… Para elas, é isto o grande amor. Parece que, se não se estiver inebriado, se tem menos sensações! Mas o que sabem elas disso? Já tentaram estar vigilantes, fazer uma seleção e ligar-se às correntes superiores para ver que alegria experimentarão e que descobertas farão?… Se nunca experimentaram, como podem pronunciar-se?”

Krishna and Radha
Krishna and Radha

A ascese possível

Quando pensamos em ascetismo espiritual, logo vem à mente a figura de um iogue ou monge que personifica em sua aparência, vestimentas e entorno práticas austeras de desapego da matéria. Essa representação automática que temos de alguém seriamente dedicado à espiritualidade acaba funcionando como uma barreira, atrapalhando a compreensão do que significa o auto-aperfeiçoamento espiritual e de como uma espiritualidade profunda pode permear o nosso cotidiano comum.

Que o caminho da espiritualidade é um caminho de ascese não há dúvida. Mas a disciplina e o despojamento evidentes na figura dos ascetas são apenas uma das faces possíveis da entrega espiritual, apropriada para alguns, mas nem de longe mandatória para todos.

Os caminhos espirituais são muitos. Arriscaria dizer, únicos para cada um de nós, conforme nossa trajetória e necessidade de aprendizado. A primeira lição espiritual verdadeira é aquela de olhar para dentro de si e perceber esse caminho peculiar.

Em relação à senda interior, tudo aquilo que acontece fora de nós é de segunda importância. As pessoas atualmente encarnadas no Ocidente urbano, por exemplo, poderiam pensar viver em um entorno desfavorável para a manutenção de uma boa sintonia espiritual. O distanciamento da mãe natureza e a imersão no ruído humano, que valoriza as aparências, nutre pensamentos mesquinhos e emoções conturbadas, trazem desafios específicos para a manutenção do equilíbrio pessoal. Mas são justamente os desafios que nos possibilitam exercitar a espiritualidade no dia-a-dia.

Precisamos, nesse contexto, de altas doses de discernimento para reconhecer o que é valor transitório e o que é valor perene. De muito amor para nos relacionarmos com todos os diferentes seres de forma fraterna. De bastante concentração para conseguir parar, dentro de nós, a roda de ilusões, e nos reconectarmos à fonte que anima nossos melhores propósitos.

As cidades podem ser excelentes salas de aula para aperfeiçoar a nossa forma de estar com os outros neste mundo; para testar nossa perseverança frente às dificuldades e para reforçar nossa capacidade de nos mantermos ligados ao Alto, ainda que enredados nos véus da matéria. A vida comum, com todas as imperfeições das quais somos atores e espectadores, nos estimula a desenvolver o “monastério de dentro”.

Neste santuário íntimo, todos os esforços que empregamos para sermos melhores conosco, com os outros e com o Universo, nos níveis físico, emocional e mental, são pequenas formas de ascetismo. A determinação firme de superar nossas próprias fraquezas, vícios, medos e auto-enganos são aquilo que podemos chamar de uma ascese possível.

Cabe a cada um julgar a extensão das asceses possíveis que consegue incorporar em sua vida. O importante é se dispor a dar passos graduais e cultivar a força necessária para formar novos hábitos, ou se desfazer de velhos. E viver com gratidão pela chance de buscar um melhoramento espiritual consciente, sadio e sustentável.

Felizmente, quanto mais nos esforçamos e mais sinceramente o fazemos, tanto mais ajuda recebemos. A ajuda, que às vezes só é compreendida em retrospecto, vem em forma de tudo que nos alinha com o melhor que podemos ser num determinado momento: contextos que favorecem, adversidades que ensinam, pessoas importantes, energias que apaziguam, ideias que nos fortalecem e sincronicidades que nos impulsionam um pouco mais adiante.

Arte: Jimmy Lawlor
Arte: Jimmy Lawlor

Pássaro do Himalaia

Estava hoje pela manhã em uma pequena sala de espera aguardando o horário de pegar minha filha, que participava de uma sessão atividades sem a presença dos pais. A sala era minúscula, cerca de três metros quadrados. Sufocante até. Também não possuía graça nenhuma; nela estavam dispostas apenas três cadeiras e uma mesinha.

Havia um outro pai esperando na sala. Tratei de me sentar logo ao lado de uma janela generosa, com vista para os jardins privativos típicos das casas enfileiradas dos subúrbios ingleses. Essas casas vistas da rua são super discretas, mas do alto das janelas vizinhas percebe-se que guardam um tesouro de árvores e flores belíssimas, muito bem cuidadas pelos seus insuspeitos moradores.

Tinha levado dois livros para folhear enquanto esperava, mas sentindo-me privilegiada e já um pouco inebriada com aquela vista, mudei de ideia e coloquei os fones para ouvir uma coletânea maravilhosa de músicas contemplativas chamada “Himalayan Soul“. São músicas singelas que, como se pode deduzir pelo título, remetem à sensação de plenitude espiritual mesmo quando se está em solidão física.

De olhos abertos, comecei a me sentir bem relaxada, e minha atenção começava a fugir do ambiente e tempo físicos em que me encontrava. Num certo momento percebi, ao longe, num dos últimos jardins que a vista alcançava, um pássaro grande pousando em um galho no topo de uma árvore desfolhada. A silhueta do pássaro era pequena devido à distância, mas bem nítida porque contrastava com o céu esbranquiçado da manhã chuvosa. Pensei comigo: “ah, ele também está aproveitando a vista! Mas que curioso escolher pousar ali, num galho descoberto, sob chuva e vento frio. Talvez a sua alma não esteja nem percebendo o tempo hostil. Vou observá-lo e ver até onde aguenta.”

O pássaro ficou ali durante todo o meu tempo de espera, cerca de uma hora. Estava frio, começou a chover forte, mas ele se manteve imóvel, impassível. Meu olhar foi-se perdendo cada vez mais na visão dele. Tinha algo de majestoso na sua postura imperturbável.

Começaram a aparecer frases, diálogos inesperados e inspiradores na minha mente. A frase que mais gostei de ‘ouvir’ disse o seguinte: “meditar é transpor a alma para além de tudo que é circunstancial”.

Junto às gotas de chuva começaram a cair pequenas gotas brilhantes, de cor azul celeste. A luz esbranquiçada do céu chuvoso começou a ficar mais intensa, até que a paisagem começou a se dissolver em um brilho branco-prateado. Tudo isso ao som daquela música meditativa, maravilhosa. Não consigo descrever o local luminoso para onde estava sendo transportada, mas parte de mim estava indo para bem longe dali.

Acabei voltando de repente, chamada por um roncar de sono profundo. Enquanto eu viajava nas asas da música e da luz, o pai que esperava comigo tinha adormecido ali mesmo, na cadeirinha desconfortável. Talvez a mesma energia de paz profunda que patrocinou a minha viagem tinha embalado o sono físico dele.

Não me importei de voltar, pois já estava mesmo quase na hora de arrumar as coisas para ir pegar a minha pequena. Saí da sala me sentindo plena, enquanto o pai colega ainda dormia. Desejei que tanto ele como eu e cada vez mais pessoas nesse mundo possam aproveitar essas caronas espirituais que nos são oferecidas a partir de estímulos tão simples.

Se as aceitamos, podemos ser transportados para regiões de inspiração e beleza memoráveis. E retornaremos delas carregados de vitalidade e tranquilidade para conduzir, na vigília comum, os assuntos de nossa igualmente preciosa vida cotidiana.

passaro_sob_chuva

A Paz do Cosmos

Por trás de toda tempestade existe uma calma, que transcende qualquer agitação.
É a Paz do Cosmos, onde tudo está no seu devido lugar.

Por trás de toda catástrofe existe uma segurança, onde nenhum sofrimento consegue aportar.
É a Paz do Cosmos, onde tudo está no seu devido lugar.

Por trás de toda morte existe um brilho eterno, que fala da vida que continua.
É a Paz do Cosmos, onde tudo está no seu devido lugar.

Por trás de todo drama pessoal e sentimento mal resolvido existe uma serenidade, que vem mostrar que nenhum litígio é necessário.
É a Paz do Cosmos, onde tudo está no seu devido lugar.

Por trás de todo caos e injustiça existe uma sinarquia luminosa, que governa todo tipo de acontecimento.
É a Paz do Cosmos, onde tudo está no seu devido lugar.

***

Removamos de nossos corações todo anseio de luta externa. Preparemos o nosso íntimo para a única coisa necessária: a comunhão com o Um.

Nosso único real trabalho espiritual é este: remover os obstáculos internos para abrigar esta paz. A Paz do Cosmos, onde tudo está no seu devido lugar.

Cosmic meditation

A ilusão de se sentir estrangeiro

Tem dias em que um mesmo assunto parece te perseguir, à revelia da sua vontade. Artigos, dizeres, reportagens e cenas aparecem de forma conspiratória na sua frente, como que fazendo um convite irrecusável a parar e pensar a respeito daquele assunto em particular.

Ontem foi a vez do ‘sentimento de ser estrangeiro’, que é comum na situação de ser imigrante, ou quando se enfrenta os limites do próprio tempo, quebrando tabus e o status quo.

Assim, me deparei com um depoimento desassossegado de uma imigrante de longa data; uma sugestão de exposição fotográfica sobre ‘outsiders’ sociais; elogios à bravura solitária de artistas vanguardistas; e o desabafo fictíceo, numa série, de uma personagem mestiça lamentando não conseguir pertencer (nem à Índia nem à Inglaterra).

Mexida com o assunto, não deu pra ir deitar sem antes dar vazão a esse post, jogando as notas do seu rascunho num papel, já bem tarde da noite. E à medida que escrevia, notava que a reflexão clareava pontos sobre os quais eu ainda não tinha pensado, ao menos não dessa forma.

O tema é velho conhecido meu. Além de ser eu mesma imigrante, fiz um mestrado a respeito disso alguns anos atrás, quando dissequei certos elementos identitários (identidade do ponto de vista da psicologia) que compõem o lugar cultural de ser imigrante brasileiro em Londres. Aliás, estou até hoje devendo a publicação desse estudo, por razões diversas. A principal delas agora talvez seja a percepção, sob uma luz mais ampla, de que a questão da identidade cultural é apenas uma roupagem para algo mais profundo, de outra ordem.

Essa sensação familiar de desencaixe que vivenciamos na imigração não é exclusiva de imigrantes internacionais. Um simples ser blumenauense em Floripa, nordestino no Rio, carioca em São Paulo ou gaúcho no Norte já dá pano pra manga em movimentar os mesmos tipos de estranhamento e adaptação cultural. Dentro de uma mesma nação as diferenças tendem a ser menos drásticas porém, enquanto que em um país muito diferente do seu você se depara com coisas bem mais alheias aos seus hábitos.

Ampliando um pouco a questão, não é difícil constatar também que o sentimento de estrangeiro é comum a muitas pessoas, imigrantes ou não, relativamente a diferentes aspectos da vida. Será então que existe esse sujeito que imaginamos 100% adaptado à sua realidade particular, ao qual nos opomos considerando-nos mais estrangeiros e desadaptados do que ele? Não seria o sentimento de ‘não pertencer’ comum à grande maioria das pessoas, cada uma dentro de um contexto próprio – o da família, da religião, da sociedade, do país, das escolhas individuais?

Em outras palavras, não nos sentimos todos estrangeiros ou marginais em alguma medida, em algum sentido?

Acredito que sim. E acredito que isso acontece porque todos nós, seres humanos, sobrevalorizamos as coisas periféricas, incluindo aí as nossas identidades culturais. Por causa de nosso modo apressado e desatento de viver, tornamo-nos prisioneiros dos detalhes fenomênicos da vida, aos quais nos apegamos para dizermo-nos ‘diferentes’. Esses detalhes acabam ganhando status de realidade em detrimento do Ser real, que vai além de tudo que se manifesta externamente.

Parece então que todas essas dissonâncias culturais, de valores, de aparência física e de identidades são na verdade problemas secundários, alimentos relevantes apenas para os nossos egos. Pequenos apegos que dão-lhes assunto para conversar, incapazes que são de ficar quietos. Questões que perdem qualquer importância assim que passamos a contemplar a essência de nossa identidade espiritual real.

Essa identidade é a da Luz divina, fonte original de todas as formas de vida e de não-vida. Mantivéssemo-nos mais atentos a essa identidade real, abalaríamo-nos menos, muito menos, com as ondulações que a periferia ilusória nos apresenta a todo instante. Estaríamos aqui, na China ou em Marte, serenos e centrados na única coisa que existe: a Luz que irmana todas as coisas manifestas na criação.

Esse exercício radical porém é difícil, e pode ser negativamente desestabilizador. Há um texto, de que gosto muito, que fala sobre como transitar de forma equilibrada pelo mundo carregando dentro de si a ‘caverna sagrada’, de onde podemos perceber todas as coisas na sua correta escala de valores. É preciso viver em paz na manifestação periférica, porém compreendendo-a a partir do centro real, sem nunca permitir o movimento na direção contrária.

Enquanto não conseguimos habitar de forma permanente esse centro imperturbável de nossa consciência, podemos ao menos guardar em nossos corações a lembrança dessa Verdade e apoiarmo-nos nela nos momentos em que, engolfados pela ilusão, sentirmos-nos isolados, desadaptados ou incompreendidos.

É preciso, enfim, sempre lembrar que estamos todos unidos por uma mesma essência espiritual, que é origem e destino de todas as coisas, feito uma verdadeira pátria primordial, onde não há estrangeiros.

Shiva_meditation

Os presentes sutis pelo caminho

Duas vezes por semana tenho levado minha filha a um novo grupo de brincadeiras, aqui chamados playgroups. Desta vez, um que não é oferecido pelo governo, mas sim por voluntários de uma igreja católica próxima à nossa casa. Esses grupos sociais organizados pela sociedade civil são bem comuns por aqui. É interessante: apesar de Londres ser uma grande metrópole, os bairros são comunidades muito vivas. Ninguém tem desculpa para se isolar, já que sempre tem alguma atividade pertinente à sua “tribo” rolando perto da sua casa.

Esse grupo se encontra num salão grande, cheio de brinquedos super legais. Tem um cantinho de leitura e uma mesa com material para atividades manuais. No meio da manhã, há uma pausa para as crianças fazerem um lanche e os pais tomarem um café ou chá, e no final, uma sessão de canto. As despesas são cobertas pelos £2 que se paga por criança na entrada de cada sessão – a julgar pelo que é oferecido, um valor simbólico. O trabalho que fazem ali é completamente caridoso.

Desde que comecei a frequentar o grupo, me chamou a atenção a presença de uma senhora idosa, entre 70 e 80 anos, que fica a maior parte do tempo dentro da cozinha, que dá vista para o salão. Lá ela prepara o lanche da criançada, passa o café, arruma o balcão do chá dos pais, e depois limpa tudo. No final, ela se junta a nós, pois tem a voz bonita e lidera a sessão de cantos infantis que encerra o grupo.

É uma senhora discreta e nunca a via conversando enquanto trabalhava, a não ser com colegas organizadores das atividades. A maioria dos pais chega no balcão, pede a bebida de sua preferência, que ela serve gentilmente, e tão logo estejam em posse da sua xícara agradecem com educação e vão se encostar em algum cantinho. Poucos vão além e falam com ela qualquer coisa além do necessário.

Desde o início nutri simpatia pela senhora, talvez porque eu também gosto de cantar, mas também porque tenho admirado cada vez mais essas pessoas que fazem as pequenas grandes diferenças bem quietinhas, sem fazer alarde nem esperar reconhecimento por isso. Então, sempre que tenho podido e sentido antes que não vou atrapalhar, comento com ela coisas aqui e ali, puxando assunto como se faz com pessoas que estamos conhecendo, avançando devagarzinho desde as amenidades até assuntos mais profundos.

Nessa, acabei percebendo algumas coisas bacanas sobre essa mulher. Ela é envolvida com a igreja, canta no coral da mesma, tem duas netas que a mantêm bastante ocupada, e adora observar fenômenos celestes (gosta de dar dicas de previsão de tempo, fenômenos astronômicos, lua, etc.). Trabalha ali voluntariamente, e sente que às vezes gostaria de conhecer melhor os pais que frequentam o lugar, pois há situações em que sente que teria uma dica ou outra para partilhar. Como por exemplo outro dia, quando duas mães quase saíram no tapa depois que seus dois meninos se esbarraram de forma meio violenta. A senhora comentou comigo, lá no balcão da cozinha, sobre como educar meninos daquela idade; dicas fundadas na sabedoria da experiência que eu, como mãe de primeira viagem, não poderia ter tido por conta própria. Então eu disse a ela que era uma pena que aquelas mães não se abrissem para conversar com ela porque se tivesse sido comigo, eu teria ficado grata por ouvir conselhos daquele quilate.

Também reparei, outro dia, que ela apareceu para o trabalho com ataduras nos dedos de uma das mãos. Até onde vi, fui a única mãe a querer saber o que havia acontecido, e ela disse, sem perder o sorriso, que tinha amanhecido naquele dia com as juntas sem funcionar. E que não se importava com isso, mas que aconteceu em má hora porque estava com muitas coisa pra fazer ali no grupo, na igreja e com as netas.

Não foi de início que percebi o por quê de eu me interessar em interagir com aquela senhora. Apenas fui-a notando por afinidade espontânea, até chegar um momento, ontem, em que percebi que meu sentimento por ela era, na verdade, de sincera gratidão. Por causa da sua presença silente, mas eloquente e generosa. Percebi isso olhando-a de longe, trabalhando como de costume, preparando as bandejinhas das crianças e os carinhos que a maioria dos adultos recebe sem manifestar nada além do agradecimento social automatizado.

E por isso, ontem me senti compelida a abordá-la para falar bem diretamente, ao seu coração, de como a atuação dela ali era importante e fazia diferença para mim. “Sabe, esse momento do café para nós pais é uma hora muito feliz. Passamos tanto tempo nos preocupando em dar carinho e cuidados aos nossos pequenos, que quando alguém faz um carinho por nós, é uma coisa muito valiosa. Então, muito obrigada pelo trabalho que você faz aqui.”

Ela ficou um pouco desconcertada, mas, claro, feliz. E eu também, por ter conseguido falar para ela o que estava no meu coração há algum tempo. Nem sempre estou tão desperta para isso, mas tenho ficado cada vez mais sensível a esse tipo de bem invisível que me ampara diariamente. E às vezes, transbordo de gratidão por tantos presentes sutis espalhados no meu caminho.

Presentes de Amor

O Aspecto Dourado do Outono

Um Espírito de Calma, Sabedoria e Maturidade

Por Lin Yutang
Trecho de artigo original em Inglês traduzido e adaptado por mim.

Chega uma época em nossas vidas como nações e indivíduos em que somos impregnados pelo espírito do outono precoce, no qual o verde é misturado com o dourado, a tristeza é misturada com a alegria e a esperança é misturada com a reminiscência.

Chega uma época em nossas vidas em que a inocência da primavera é uma memória e a exuberância do verão uma canção cujos ecos enfraquecidos permanecem no ar; quando, enquanto olhamos para a vida, o problema não é como crescer, mas como viver verdadeiramente; não como tentar e trabalhar, mas como apreciar os momentos preciosos que temos; não como desperdiçar nossa energia, mas como conservá-la em preparação ao inverno vindouro. Um senso de haver chegado em algum lugar, de haver-se assentado e descoberto o que queremos. Um senso de ter alcançado algo também, muito pouco comparado à exuberância passada, mas ainda assim alguma coisa, como uma floresta de outono tosada de sua glória de verão porém retendo dela tanto que irá resistir.

Eu gosto da primavera, mas é muito jovem. Gosto do verão, mas é muito orgulhoso. Então, gosto mais do outono, porque suas folhas são um pouco amarelas, seu tom mais suave, suas cores mais ricas, e é tingido com um pouco de tristeza e um pressentimento de morte. Sua riqueza dourada fala não da inocência da primavera, não da energia do verão, mas da maturidade e da sabedoria gentil da época que se aproxima. Conhece as limitações, e da sua riqueza de experiências emerge uma sinfonia de cores, a mais rica de todas: o seu verde falando de vida e força, o seu alaranjado falando de conteúdo dourado e o seu roxo de resignação e morte. E a lua brilha sobre ele, e sua fronte parece branca com os reflexos, mas quando o sol poente o toca com um brilho noturno, ainda consegue sorrir jubilosamente.

Autumn colours surround the Tu Hwnt i'r Bont tearooms on the banks of the River Conwy

Foto (clique para ampliar): Tu Hwnt i’r Bont Tearoom, em Llanrwst, País de Gales

Resgatando um elo perdido

Toda vez que me vejo preparando almoço às 11 da manhã para a minha pequena, e sinto aquele cheiro de comida de verdade impregnando a casa, não consigo deixar de lembrar da minha própria infância, das comidas maravilhosas que minha mãe preparava todo santo dia (dá trabalho!) com o maior carinho e a maior preocupação em variar o cardápio pra garantir a nossa nutrição. Nessas horas cai a ficha de como o tempo passa, o mundo gira, e os papéis se invertem de verdade. Uma constatação bem batida, mas um blog também serve para registrar essas obviedades.

Conviver com uma criança me transporta para o universo infantil de uma forma bem direta e beneficiadora. O preparo das comidinhas é só um exemplo, ao lado de frequentar a pré escola (atividades sociais, musicais e pedagógicas regulares para bebês e crianças em idade pré escolar, em que os pais participam, fornecidas pelo governo de forma gratuita), assistir desenhos e programas infantis (que para ela se tornam muito mais legais se eu estiver assistindo junto, comentando e narrando) e manusear os brinquedos e livrinhos, cujas cores, textura, aparência e cheiro também são um ticket de passagem certeiro para as memórias infantis mais remotas.

À medida que o tempo passa, novas atividades vão sendo incorporadas na minha rotina com a Trix. Talvez, na medida em que ela se aproxima da idade em que, à minha vez, comecei a ter as primeiras memórias conscientes, essas atividades vão tendo um impacto mais significativo em mim. A sensação do cheiro do giz de cera, por exemplo, me transportou dia desses direto para o jardim de infância, no qual entrei assim que completei quatro aninhos.

Um parenteses de curiosidade: no estudo dos chakras, uma vez me deparei com a informação de que a sensação do cheiro é relacionada ao chakra básico (Muladhara), o chakra da nossa ligação mais física com a Terra. Isso para mim faz muito sentido porque certos cheiros marcantes me fazem quase viver de novo alguma determinada experiência passada dessa encarnação, ou até mesmo de encarnações anteriores (cheiros que desencadeiam retrocognições).

Voltando ao assunto, o motivo pelo qual sinto como tão benéfico esse contato com as coisas infantis tem a ver com o estado interno em que eu me encontrava nos anos anteriores à gravidez. Depois de ter tido uma infância super feliz, leve e sorridente, a passagem pela adolescência e a entrada na vida adulta me transformaram numa pessoa excessivamente séria, acadêmica, preocupada e ansiosa. Felizmente esse ciclo começou a se quebrar uns dois ou três anos antes de eu me tornar mãe, mas as marretadas mais poderosas têm vindo mesmo com a experiência de conviver diariamente com uma criança.

Passado o primeiro ano de vida dela, que foi fisicamente muito demandante, sinto que começo a aproveitar mais a ludicidade da sua presença. Meu coração tem ficado cada vez mais macio, não apenas em relação à minha filha, mas com as coisas da vida em geral. Então, espero estar desempenhando razoavelmente o papel que agora me cabe. É o mínimo que posso fazer em retribuição a essa onda de alegria que invadiu meu cotidiano.

E sou muito grata à vida por ter me dado essa oportunidade de auto transformação.

crayons

Freedom and commitment

I heard a conversation at a university cafe today which made me that bit more faithful in humanity. Some young students were sitting in a circle, on sofas and comfy chairs, sipping their lattes and capuccinos, when one of them turned to another and asked what his thoughts were on being free to do what you want. More specifically, free to not attend classes which they did not find particularly interesting.

The answer that followed surprised me for its maturity and perspicacity, something that I would not have automatically expected from a young man in his early twenties. But then I guess I was reminded that there are always exceptional people out there with a maturer than average attitude towards life. Here’s what he replied:

“I think that as a student you are free to do whatever you want, but with your acts come consequences.” He went on as everyone listened attentively: “And you need to be ready to accept these, such as failing the class. As long as you are willing to accept the consequences, you’re free to do what you want. With freedom comes responsibility.”

Gravitas and silent reflection followed. There was clear wisdom and truth in that statement.

More often than not we think of freedom as doing whatever comes to mind, following our impulses and satiating our urges. The problem is that we never seem as keen to accept responsibility for the real consequences brought by this so-called freedom. Because we are part of a bigger mechanism, our actions are always bound to trigger reactions. That, by the way, is the precise meaning of the spiritual concept of karma. And as it happens, we are all too prone to giving free rein to our reckless causes, whilst forgetting about and refusing to take responsibility for the reaction part.

That young man’s remarks immediately brought to mind these thoughts about karma, and made me go back to one of the most enlightening books I ever read on the theme of freedom, by a spiritual thinker I deeply admire, Omraam Mikhaël Aïvanhov.

Aïvanhov’s core idea is that there is no such thing as absolute freedom for mankind (that is reserved for the Creator alone), for when one is free from certain circumstances he or she is bound by another. The real issue, then, is to choose wisely which bonds to free yourself from and which ideals to bind yourself to. Here’s how he beautifully puts it:

You have to free yourself, that is true, but in order to limit yourself. You have to free yourself inwardly from all your lower instincts and tendencies in order to bind yourself to something higher, to working for the collectivity. That, for me, is the true meaning of life and liberty. Happiness and joy consist of freeing oneself, not in shirking one’s obligations, but in freeing oneself inwardly from all one’s weaknesses in order to commit oneself even more wholeheartedly to helping others. Yes, if you want to be inwardly free, you have to begin by limiting yourself and sacrificing certain things in order to commit yourself more fully. “(Aïvanhov, in: Freedom, the Spirit Triumphant)

Freeing ourselves from our weaknesses and egotistical urges in order to commit ourselves more fully to self growth and collective improvement. Here is an astoundingly truthful and generous perspective on what freedom actually is.

Celtic_cross_of_commitment

Image: Celtic Cross of Commitment, by Wild Goose Studio

Jardins que curam

Gosto de caminhar pelas ruas calmas do bairro onde moro, no subúrbio de Londres, apreciando os jardins coloridos e os detalhes das silenciosas casas enxaimel da vizinhança. Os parques e jardins aqui são na sua maioria muito bem cuidados, repletos de árvores, plantas e flores que sinalizam claramente a passagem das estações climáticas. Ao observar um parque ou jardim, pode-se deduzir com boa precisão em que época do ano se está.

A partir do mês de agosto esse passatempo se torna especialmente prazeroso para mim, visto que se inicia o tempo do outono, ou, ao menos, o prenúncio dele. É a estação que considero mais linda, com a temperatura mais agradável, as cores mais bonitas e a energia mais condizente com o tom geral da minha alma. É que nessa encarnação tenho aprendido bastante sobre desapego e renovação, então, de certa forma, me considero uma “alma em outono”. Todas as estações têm o seu valor e a sua beleza, mas tem algo no outono que me faz sentir especialmente desperta.

Talvez por isso ontem, voltando no fim da tarde de um desses passeios, depois de sentir o vento outonal fresco e vê-lo varrer as primeiras folhas secas do ano, pensei em escrever sobre o incrível tanto de coisas que se apaziguam na mente e no coração, durante e após uma caminhada contemplativa junto à natureza. Mas é difícil explicar em palavras tudo o que é liberado, curado e inspirado nesses momentos, pois há muito de subjetivo e não dado à racionalização. Basta então observar o estado interno em que nos encontramos antes e depois de uma experiência assim, tão simples e tão ao alcance de qualquer um. Renovação, preenchimento, organização, harmonia, paz e vigor são alguns dos benefícios sensíveis que o contato com a natureza invariavelmente traz.

Esses benefícios são velhos conhecidos das sabedorias tradicionais, e modernamente têm sido pesquisados também pela medicina e psicologia convencionais. Lembro de recentemente ter visto, por exemplo, tese de doutorado sobre o tema, e propostas de realização de psicoterapia em ambientes mais verdes e naturais. Já sabemos, mas não custa lembrar: a natureza oferece em abundância não só as substâncias físicas que curam nossos males (e que são a base inclusive para os remédios laboratoriais que compramos nas farmácias), como também as energias sutis que nos harmonizam nos níveis emocional, mental e espiritual.

Para receber essas energias curativas é preciso silenciar-se, abrir-se, observar a natureza e escutar o que ela tem a dizer. A contemplação meditativa da natureza é um fantástico remédio, facilmente acessível, sem perigo de superdosagem e sem contra indicações. Esta generosa amiga-mãe-irmã está sempre disponível para ajudar a nós humanos, atuando em favor de nossa evolução pessoal e coletiva.

Jardim de outono
Jardim de outono