A árvore

Num certo fim de verão, uma frondosa árvore deixou cair no chão um de seus saborosos frutos maduros. No fruto havia sementes que, imperceptíveis ao observador externo, pulsavam de vida no seu interior. O chão absorveu com gosto a doçura daquela fruta, e acolheu no seu seio aquecido as pequenas e frágeis sementes, protegendo-as das estações frias que vinham pela frente.

Perguntando-se sobre o paradeiro do seu fruto caído, a árvore viu chegar o outono, e ainda que um pouco temerosa, seguiu a orientação da natureza, deixando-se despir de todas as suas folhas. Mal sabia ela que aquelas suas folhas perdidas adubariam o terreno que abrigava sua filhote, servindo de alimento orgânico para o seu crescimento.

Veio o inverno, e a árvore, completamente desnuda, viu acumular em seus galhos ressecados grossas camadas de neve branca, que a deixavam linda, mas cuja temperatura nem sempre era fácil de suportar. Atenta aos chamados da natureza, porém, a árvore ali permaneceu, serena, procurando relevar o frio e apreciar a beleza das alvas paisagens ao seu redor.

Os primeiros ventos cálidos da primavera sopraram, e para a surpresa da árvore, ao seu lado, no chão, despontava um pedacinho de verde brilhante, que se parecia com ela mesma, rejuvenescida. Era a sua filhote, o ex-fruto maduro que a generosidade da natureza agora transformara em um novo ser. Que alegria!

Transbordando de gratidão, percebeu que botões verdes recomeçaram a brotar também nela mesma, tornando-a novamente colorida e produtiva. Sabia que havia ganhado naquela pequena companheira um grande presente, pois dividiria com ela, de perto, todas as belezas e desafios das futuras estações, tantas quantas a natureza permitisse que apreciassem juntas.

Sentindo-se abençoada, a árvore relfetiu que para merecer tal presente, a única coisa que lhe tinha sido pedida foi que se despojasse de tudo que imaginava seu – frutos, folhas – e que os entregasse aos ritmos da natureza. Fora-lhe pedido que confiasse no poder maior que girava os ciclos da vida, e que escapava à sua limitada compreensão individual.

A árvore compreendeu que somente com sua plena entrega puderam ser abertos os caminhos para a maravilha daquelas novas alegrias, daqueles novos encontros e daquela nova vida.

Árvore frutífera

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