A decisão de realizar uma mamoplastia de aumento

Tendo vindo ocupar nesta vida um corpo de mulher com mamas pequenas, sempre vivi ao longo do tempo em relativa paz com minha figura física. Foi somente agora, aos 37, que comecei a cogitar seriamente a realização de uma mamoplastia de aumento.

Historicamente eu tinha uma boa carga de preconceito contra intervenções plásticas em geral. Eu pensava que a beleza era um processo que deveria acontecer de dentro para fora, e o que restasse de desarmônico no visual deveria ser trabalhado pela autoaceitação. O caminho contrário, do tentar arrumar a aparência por fora para se sentir bem por dentro me parecia antinatural e insustentável.

Nada como uma boa solapada prática para colocar as nossas certezas teóricas em cheque.

Aos 32 anos me tornei mãe de uma linda menina, que hoje tem 5 aninhos. Tive a felicidade de poder amamentá-la até os dois anos de idade. Na época, meus seios estavam lindos e fartos (e o resto do corpo também bem redondindo, rs). Eu me sentia feliz, pois aquela forma arredondada e líquida refletia bem meu estado interior, mais maternal, mais Yin do que eu jamais estivera nessa vida.

Não só pela maternidade, mas principalmente por ela, eu passava na época por um processo psíquico de equilibração muito importante para mim. Gradualmente eu vinha deixando de ser uma mulher intelectualmente aguerrida e focada no trabalho, e passava a ser mais atenta às pessoas e aos relacionamentos mais próximos. Diminuía meu afã de deixar marcas memoráveis no mundo e me colocava mais à disposição para acolher em quietude as necessidades dos que participam diretamente da minha vida. Eu começava a ficar mais à vontade na minha própria pele de mãe, filha, esposa, amiga, irmã.

A bebê foi crescendo, desmamou aos dois anos completos, e meus seios gradualmente foram diminuíndo conforme o corpo retornava à normalidade pós gravidez. Já não eram apenas pequenos, agora haviam se tornado um pouco flácidos também. Até aí tudo bem, nada que me motivasse a pensar em cirurgia ainda. Porém quando fiz 37 anos, passei também por uma mudança alimentar significativa, aliada a exercícios físicos moderados quase diariamente. O resultado é que em alguns meses perdi uma quantidade considerável de gordura corporal. Isso foi ótimo, porém a pouca gordura que restava na mama começou a secar também 🙁

Comecei então a me desgostar quando me via no espelho, principalmente de biquíni, de top ou busto nu. Incomodava que me sentisse bonita apenas de roupa, recorrendo ao truque do sutiã de bojo (que ficava cada vez mais vazio). Até que me peguei, numa noite insone, pesquisando sobre prótese de mamas. Em seguida, num encontro de amigas, conversei com uma amiga querida sobre a mamoplastia que ela havia feito anos atrás (e que ficara linda!).

Do início da pesquisa à primeira consulta com o Dr. Samuel Colman devem ter se passado uns dez dias. Nem quis ficar consultando outros profissionais, pois além de ter tido ótimas referências dele, gostei muito da energia que senti no seu trabalho. O Dr. Samuel é um cirurgião experiente que tem uma visão ampla da saúde humana, integrando as técnicas da medicina ocidental mais avançadas com elementos da sabedoria espiritual milenar no trato com seus pacientes. Eu sentia que estava entregando o meu desejo de harmonização estética nas melhores mãos possíveis.

Em quinze dias, já tínhamos a data marcada e tudo planejado. Eu estava bem ansiosa ainda, pois em uma consulta não é possível sanar todas as dúvidas. Embora a equipe da clínica tenha se colocado à disposição para esclarecer tudo, minha cabeça estava a mil, pensando em todas as possibilidades de volume, formato, local de incisão, a cirurgia em si (nunca tinha levado anestesia geral antes), as restrições pós operatórias, e principalmente, percebendo um sentimento de culpa querendo se infiltrar e me dizer que eu não deveria agredir meu corpo assim, que o certo era eu me aceitar como estava. Eu sentia bastante medo de me arrepender.

Com o apoio de amigos e entes queridos, depois de uma segunda consulta pré cirúrgica eu passei a ficar mais tranquila e otimista (obrigada pelo apoio, pessoal!).

Tudo correu muito bem e hoje, 12 dias após a operação, estou muito feliz com o resultado (cujo visual só se consolida mesmo depois de alguns meses de adaptação do corpo à prótese). Ficou bonito, embora ainda discreto, do jeito que eu queria, num resultado que caiu bem na minha figura relativamente pequena.

Há pouco de vaidade na minha felicidade; e muito de satisfação com o fato de essa mudança externa estar em harmonia com as mudanças internas pelas quais passei nos últimos anos. É como se agora a minha figura externa refletisse melhor a minha disposição interna.

Recorri enfim, para minha própria surpresa, a um truque da ciência para me sentir mais bonita. E diferente do que eu julgava em outros tempos, descobri que esses truques podem sim ser muito bem vindos como um complemento à saúde emocional. Eles podem ajudar no resgate da autoestima verdadeira, desde que ela já esteja acontecendo também como um processo interno da alma.