Love unites us, Truth sets us free

[Originally written and published in Portuguese]

Love and Truth: so many insights are contained in these simple words! To me, they summarise the essential learning of how to be human in the best sense. Because the best sense of being human is the faculty of Loving with Truth; of uniting whilst honouring freedom; being together without imprisoning.

So much can be said in this respect and so much has already been, in ways much better than I could hope to. But I can sincerely say that I understand, am provoked by and touched by this paradoxical combination: Love and Truth.

Yes, because part of me knows, in practice, what it is like to Love without Truth: hurtful attachment. And part of me knows what Truth without Love can be like: arrogant pride.

Love without Truth suffocates; Truth without Love destroys.

The combination of Love with Truth, however… is a veritable explosion of Good. A centrifugal and centripetal whirlwind at the same time. It elevates everything it touches. It generates strength and energy. It turns the world around. It makes everything grow and become better.

As an apprentice of being human in the best sense, I manage to access some Love with Truth in my most inspired moments. They never last long enough to satisfy the infinite thirst for progress. But gladly so: the path of evolution never reaches its end, and we are forever able to enjoy new landscapes along the way.

Now I understand: my essential search is for learning how to live both the Love that unites and the Truth that sets us free, in a synchronous and increasingly perennial way.

The road may be long, but the destination is fabulous. Infused with hope, the path becomes even more beautiful. And the best mantra to keep us company in this marvelous journey of self betterment is this: Love and Truth.

So be it.

True Love

Pessoas bálsamo e pessoas veneno

Poderia-se imaginar do título desse post que ele trata de dois tipos diferentes de pessoa. Mas o que eu gostaria de escrever hoje é sobre a nossa capacidade de ser as duas coisas ao mesmo tempo.

Exercitando a mais pura honestidade, reconheceremos essa limitação central da nossa condição humana presente. É uma contradição que todos carregamos; o ser inferior e o ser superior em nós mesmos, a sombra e a luz, especialmente considerando-se uma mesma vida, em que melhoramos tão devagar e tão pouco.

Somos capazes de viver momentos maravilhosos, de coração transbordante e compaixão universal irrestrita, acessando neles talvez uma pequena fração da abundância de luz que habita permanentemente os corações dos grandes mestres do Amor.

Nunca demora muito, porém, para que à chuva de luz se sucedam os períodos desérticos, que são conseqüência das várias pequenas frestas que abrimos cotidianamente para os pensamentos e emoções sombrios. A carga psíquica negativa cuja entrada permitimos e que displicentemente alimentamos aumenta progressivamente até engolfar todo o nosso ser. Uma horda de seres interessados em ver nosso coração cativo dos maus pensamentos e dos maus sentimentos não demora a se aliar a essa empreitada do eu inferior para sabotar aquilo que temos de luminoso.

Somos ainda principiantes na arte da equanimidade. Ainda que no longo prazo e a despeito de nossos deméritos a lei evolutiva nos conduza sempre a melhores paragens, em nossa escala de tempo pessoal poderíamos poupar muito sofrimento próprio e alheio se fôssemos mais versados em reconhecer as artimanhas de nossa própria sombra. Ela sempre se alimenta daquilo a que assentimos por ignorância espiritual, ego ou vaidade.

Ah, como gostamos de nos acreditar melhores, mais justos, mais percebedores da realidade do que os outros, especialmente aqueles que pensam diferente de nós. Somos todos pequenos messias de nossas verdades, sempre dispostos a decepar as “ilusões alheias”, mas cegos ao tamanho desproporcional de nossos egos julgadores.

Ah, como ansiamos ser grandes em nossos pequenos microuniversos… E como ficamos ridículos quando acreditamos ter atingido o ápice da iluminação acerca de algum assunto. É sempre a partir desse momento que nos aguardam as lições mais dolorosas, aquelas que nos colocarão de volta em nosso merecido lugar evolutivo.

É por sorte que somos acompanhados por amigos visíveis e invisíveis que velam por nosso real progresso. É pelas mãos deles e delas que somos impedidos, de inúmeras formas, de levar a cabo nossas investidas de auto sabotagem.

Muitas vezes, exaustos dessa batalha interna entre nossa luz e nossa sombra e prestes a cair na tentação de ligar o piloto automático da vida medíocre, percebemos que são colocadas em nosso caminho pessoas, situações e ideias luminosas para nos impulsionar um pouco mais adiante. Assim, às grandes angústias seguem-se grandes alegrias. Aos momentos de profunda ignorância seguem-se os lampejos salvadores de lucidez.

A lucidez espiritual traz paz e contentamento, mas é muito difícil tê-la sempre presente. São esses nossos amigos que nos abrem os olhos do discernimento e a generosidade do coração. Deixados aos próprios recursos não venceríamos nossa sombra; causaríamos muitos danos a nós mesmos, e, por ação ou repercussão deletérias, aos outros também.

Felizes aqueles que sentem fazer cada vez menos sentido ventilar o próprio lado pessoa-veneno. Tudo que comunicamos com pesar, revolta, ressentimento e amargor emana correntes tóxicas, que invariavelmente voltarão a nós em algum ponto do caminho.

Não importa apenas o conteúdo do que comunicamos, mas também, e talvez até mais, a energia que vai com esse conteúdo. Quem de fato está vigilante quanto às cargas emocionais que projeta, secreta ou abertamente no mundo?

Não importa o quão justificável lhe pareça o alvo: o destino final de suas emanações sempre será você mesmo.

E assim como é certo que nosso veneno destruirá pouco a pouco o nosso próprio coração, também o bálsamo que eventualmente espalharmos com nossa presença e nossas ações, veladas ou declaradas, retornará a nós, na forma de ajuda real nas nossas horas mais difíceis.

Então, para sermos cada vez mais bálsamo e menos veneno, cabe gravar indelevelmente no coração algumas palavras:

Lucidez para conhecer as artimanhas do ego inferior e fechar inteligentemente as frestas por onde ele se alimenta e ganha força.

Amor e compreensão para recusar qualquer convite ao conflito.

Gratidão a tudo e a todos que reforçam o que há de luminoso em nós; e também a tudo e a todos que desafiam nossos bons propósitos.

Determinação para prosseguir na trilha do autoconhecimento e do domínio de si mesmo.

Harmonia e equilíbrio em todos os nossos passos.

Maat, a personificação da Verdade, do Equilíbrio e da Justiça na cosmogonia do Antigo Egito.
Maat, a personificação da Verdade, do Equilíbrio e da Justiça na cosmogonia do Antigo Egito.

Em alguns dias de rara magnanimidade, eu senti as correntes do Bem Maior atravessando o meu pequeno ser, e fiquei assombrada com a Força que a tudo regenera. Em outros dias também didaticamente inesquecíveis, eu acessei as correntes da Sombra coletiva e quase sucumbi em meio ao caos imagético, mental e emocional que me enxovalhava por dentro.

A alternância dos bons e maus estados se dá, no cotidiano, em um grau menos dramático do que nestes dias raros de intenso sentir. Mas a lição da experiência tem sido essa: somos capazes do melhor e do pior, e todos os dias nos é dada a escolha de qual tendência iremos alimentar. Quem entende isso de verdade não tolera mais em si mesmo a propensão para ser crítico do mundo, pois sabe que ao erguer um tribunal combativo estará na verdade apenas condenando a si mesmo.