Raise above your human level of concern

Raise above your human level of concern.

Remember the spirit that you are.

Humanity gets so entangled in muddy emotions that it fails to see the wider meanings behind all trials and suffering.

From the perspective of the Creator – or even of more evolved friends – those situations which humans find most difficult have a clear place in the bigger scheme of things.

So, do not get discouraged by any kind of earthly setback, not even those created by your own mind.

Know, deep inside, that everything is slowly marching towards evolution. Do not be saddened by your temporary inability to understand.

Never lose your sense of purpose, for in this life, it is the most precious treasure you can carry with you. Take strength and nourishment from it.

And know, deep in your heart, that you are never alone.

Remember: raise above your human level of concern.

Forest being (Art by Gilbert Williams - unknown title)
Forest being
(Art by Gilbert Williams – unknown title)

Eleve-se acima do seu nível humano de preocupação

Eleve-se acima do seu nível humano de preocupação.

Lembre-se do espírito que você é.

A humanidade fica tão embaraçada em emoções turvas que falha em ver os sentidos mais amplos por detrás de seus testes e sofrimentos.

Da perspectiva do Criador – ou até mesmo de amigos mais evoluídos – aquelas situações que os seres humanos acham mais difíceis ocupam um claro lugar no esquema maior das coisas.

Portanto, não se desencoraje por nenhum revés terreno, nem mesmo aqueles criados pela sua própria mente.

Saiba, no seu íntimo, que tudo está lentamente marchando rumo à evolução; não se entristeça pela sua incapacidade temporária de compreender.

Nunca perca o seu senso de propósito, pois nesta vida, ele é o tesouro mais precioso com que você pode contar. Tome força e refúgio nele.

E saiba, profundamente em seu coração, que você nunca está sozinho.

Lembre-se: eleve-se acima do seu nível humano de preocupação.

Como melhorar a manifestação do Amor

A questão dos princípios masculino e feminino é uma das temáticas espirituais que considero mais fascinantes para estudo, meditação e auto aperfeiçoamento. A abordagem espiritual do tema traz inúmeros desdobramentos e pontos para reflexão, entre eles, o tema central do Amor enquanto força divina de Vida.

O Mestre Omraam Mikhaël Aïvanhov tratou deste tema em profundidade, notadamente nos volumes 14 e 15 das Obras Completas (ainda não disponíveis em Português). Uma versão mais condensada das ideias contidas nestes escritos pode ser lida no igualmente brilhante “O Masculino e o Feminino, Princípios da Criação“.

O trecho reproduzido a seguir, gentilmente enviado via newsletter pela Publicações Maitreya, inspira a todos aqueles que se preocupam em melhorar a sua manifestação no mundo, incluindo aí a arte de melhor Amar.

Como melhorar a manifestação do Amor

Extrato de “O Masculino e o Feminino, Princípios da Criação“, de Omraam Mikhaël Aïvanhov

“Com o decorrer das eras, o conceito de amor evoluiu. Os primitivos comportavam-se neste domínio com uma violência, uma brutalidade e uma sensualidade indescritíveis. Eram oceanos desenfreados, vulcões em erupção. Com o tempo, com o despertar da consciência e da sensibilidade, novos elementos se juntaram: a ternura, a subtileza, a delicadeza… No entanto, ainda hoje, na maioria dos casos, o amor continua a ser uma manifestação primitiva.

O amor passional, instintivo, que se praticou durante milênios, gravou-se tão profundamente no homem que ele agora não sabe como refiná-lo, como torná-lo mais nobre, e, por enquanto, amar continua a parecer-se com uma carnificina: as pessoas atiram-se umas sobre as outras, brutalmente, sem preparação, sem estética, sem poesia. Têm fome e então comem, regalam-se e ficam saciadas por um tempo; depois, voltam a ter fome e novamente se atiram à comida.

Muitas, mesmo as que pertencem a uma sociedade que se diz culta, praticam o amor como selvagens: sem qualquer poesia, qualquer beleza, qualquer harmonia, nada… Elas devoram-se! E, mesmo que se esforcem por oferecer ao seu parceiro um comportamento mais requintado, isso ainda não é o verdadeiro amor, são apenas uns adornozinhos.

O amor é um impulso magnífico, mas misturam- se nele imensos elementos passionais que impedem o aparecimento da sua verdadeira natureza…

Observai os animais quando nascem: um cãozinho, um vitelinho, um cabritinho… Eles não estão muito asseados e a mãe limpa-os. E também se dá um banho às crianças recém-nascidas. Pois bem, com o amor deve-se fazer a mesma coisa.

O amor é um filho divino, porque em toda e qualquer forma de amor existe Deus, mas é preciso limpar o amor, purificá-lo, educá-lo, reforçá-lo, libertá-lo, para se descobrir a Divindade. Mesmo o amor mais egoísta, mais inferior, mais sensual, contém uma quinta-essência divina, mas coberta com demasiados elementos heteróclitos, porque, no seu trajeto, ele teve de atravessar certos lugares que não estavam nada limpos: chaminés, caminhos lamacentos…

Mesmo as melhores coisas que vêm do Céu têm de atravessar as camadas que nós acumulamos; pensamentos e desejos inferiores, e toda a espécie de elucubrações mentirosas. Por isso, por agora elas estão envolvidas em sujidade; são pedras preciosas que precisam de ser limpas. Enquanto o homem não pensar em purificar-se, todos os impulsos, ímpetos e forças vindos do Céu serão deformados.

O amor é a vida divina que desce às regiões inferiores para as invadir, as regar, as vivificar. É a mesma energia que a energia solar, a mesma luz, o mesmo calor, a mesma vida, mas, ao vir até nós como um rio, carrega-se com as impurezas das regiões que é obrigada a atravessar. Ela brotou, pura e cristalina, do cume das altas montanhas, mas tornou-se irreconhecível por causa da sua descida às camadas inferiores, entre os humanos, que consideram o amor unicamente como um meio de ter prazer ou de perpetuar a espécie.

Então, põe-se a questão: posto que se trata de uma energia divina, a mais poderosa e a mais essencial, como torná-la de novo tão pura como era no começo, na sua origem?…

Primeiro, deve-se saber que o amor tem milhares de graus, ou degraus, do mais grosseiro ao mais subtil, e que é possível subir esses degraus. Pelo pensamento desperto, pela atenção concentrada, por um controlo inteligente, pode fazer-se um trabalho sobre si próprio para que esta energia se torne de novo tão límpida como a luz do sol e aja beneficamente por toda a parte onde passar, em vez de demolir e de destruir.

Há, pois, algumas regras a conhecer, mas, para as aplicar, não tereis de esperar até ter a vossa amada nos braços durante o amor. Elas devem ser aprendidas nas atividades quotidianas, muito antes de se desencadearem os processos do amor.

Tomemos um exemplo. Todos os dias vós deveis comer. Mas, quando estais à mesa, não engolis tudo o que tendes no prato; fazeis escolhas. Sejam mariscos, peixes, queijos, legumes ou frutos, há sempre alguma coisa grosseira ou indigesta que se deve lavar ou deitar fora. O homem, que é mais evoluído do que os animais, faz escolhas na comida; os animais não fazem. Mas, quando se trata de sentimentos e de pensamentos, ele já não faz qualquer seleção, engole tudo.

Por quê? Por que é que os seres que se amam, quando querem abraçar-se e beijar-se, nunca pensam em eliminar primeiro as impurezas daquilo que vão “comer”? Muitas vezes, nos seus sentimentos, nos seus beijos, eles deixaram infiltrar-se germes de doenças e de morte que a sua inconsciência não lhes permitiu ver e eliminar.

Sim, a morte infiltra-se no amor inferior, o amor estúpido em que não há consciência, nem controlo, nem luz. E é este amor que, por todo o lado, é tão cantado, louvado, glorificado! Ninguém conhece um outro amor e, se falardes dele, as pessoas olharão para vós pensando que estais loucos.

Tudo começa pela nutrição. Antes de ir para a mesa, lava-se as mãos e, antigamente, até se dizia uma oração para convidar o Senhor a partilhar a refeição. Talvez ainda haja camponeses que continuam a fazê-lo, mas as pessoas cultas acabaram com essas tradições. É a isto que a inteligência e a cultura conduzem os humanos!…

Lavar as mãos e convidar o Senhor para a mesa eram práticas que continham um sentido profundo, e os Iniciados que as introduziram queriam dizer aos seus discípulos: «Do mesmo modo, antes de amar um ser, antes de o tomar nos braços, convidai os anjos a participar nesse banquete; mas, primeiro, lavai as mãos, isto é, purificai-vos, tende a vontade de não sujar esse ser, de não lhe passar as vossas doenças, o vosso desalento, a vossa tristeza.»

Mas, em geral, como é que as coisas se passam? O rapaz está infeliz, “nas lonas”, e, para se reconfortar, tem necessidade de abraçar e beijar a sua namorada. Então, o que é que ele lhe dá? Ele tira-lhe tudo – as forças, a alegria, as inspirações – e em troca só lhe dá sujidades! Em tais circunstâncias, ele não devia abraçá-la, mas sim pensar: «Hoje estou pobre, miserável, sujo. Então, vou preparar-me, lavar-me e, quando estiver verdadeiramente em bom estado, irei levar-lhe a minha riqueza.»

Nunca se pensa assim, mas no futuro, quando houver compreensão, ficar-se-á envergonhado e enojado ao ver a fealdade com que se amou os outros. Vós direis: «Mas toda a gente faz assim; quando se está triste, tem-se necessidade de ser consolado.» Não é porque toda a gente é inconsciente e egoísta que vós também deveis sê-lo!

No futuro, todos aprenderão a amar como o sol, como os anjos, como os grandes Mestres, que, no seu amor, jamais tiram; pelo contrário, eles dão sempre.

Há dias em que vos sentis pobres; nesses dias, mantende-vos afastados da vossa amada, senão a lei virá perguntar-vos por que é que a roubastes. As pessoas são extraordinárias: quando se sentem bem, distribuem as suas riquezas a quem quer que seja, mas, quando estão infelizes, desesperadas, vêm espoliar aqueles que amam. Comportam-se como ladrões; sim, autênticos ladrões.

Portanto, quer para o amor, quer para a nutrição, a primeira regra é não comer o alimento que está diante de vós sem ter feito previamente uma seleção. Por isso, é preciso saber a diferença entre um sentimento e outro: um sentimento egoísta e um sentimento desinteressado, um sentimento que limita e um sentimento que liberta, um sentimento que perturba e um sentimento que harmoniza…

Mas, para se poder classificar os sentimentos, é preciso estar vigilante, pois, se fordes tocados por um impulso cego e a vossa atenção estiver adormecida, não estareis presentes na fronteira para ver se se trata de inimigos que estão a infiltrar-se para minar o vosso reino. A vigilância, a atenção e o controlo são necessários para não vos deixardes levar.

Ora, no seu amor, as pessoas só pensam em deixar-se levar. Suprimir o pensamento, a consciência, ficar inebriado… Para elas, é isto o grande amor. Parece que, se não se estiver inebriado, se tem menos sensações! Mas o que sabem elas disso? Já tentaram estar vigilantes, fazer uma seleção e ligar-se às correntes superiores para ver que alegria experimentarão e que descobertas farão?… Se nunca experimentaram, como podem pronunciar-se?”

Krishna and Radha
Krishna and Radha

A ascese possível

Quando pensamos em ascetismo espiritual, logo vem à mente a figura de um iogue ou monge que personifica em sua aparência, vestimentas e entorno práticas austeras de desapego da matéria. Essa representação automática que temos de alguém seriamente dedicado à espiritualidade acaba funcionando como uma barreira, atrapalhando a compreensão do que significa o auto-aperfeiçoamento espiritual e de como uma espiritualidade profunda pode permear o nosso cotidiano comum.

Que o caminho da espiritualidade é um caminho de ascese não há dúvida. Mas a disciplina e o despojamento evidentes na figura dos ascetas são apenas uma das faces possíveis da entrega espiritual, apropriada para alguns, mas nem de longe mandatória para todos.

Os caminhos espirituais são muitos. Arriscaria dizer, únicos para cada um de nós, conforme nossa trajetória e necessidade de aprendizado. A primeira lição espiritual verdadeira é aquela de olhar para dentro de si e perceber esse caminho peculiar.

Em relação à senda interior, tudo aquilo que acontece fora de nós é de segunda importância. As pessoas atualmente encarnadas no Ocidente urbano, por exemplo, poderiam pensar viver em um entorno desfavorável para a manutenção de uma boa sintonia espiritual. O distanciamento da mãe natureza e a imersão no ruído humano, que valoriza as aparências, nutre pensamentos mesquinhos e emoções conturbadas, trazem desafios específicos para a manutenção do equilíbrio pessoal. Mas são justamente os desafios que nos possibilitam exercitar a espiritualidade no dia-a-dia.

Precisamos, nesse contexto, de altas doses de discernimento para reconhecer o que é valor transitório e o que é valor perene. De muito amor para nos relacionarmos com todos os diferentes seres de forma fraterna. De bastante concentração para conseguir parar, dentro de nós, a roda de ilusões, e nos reconectarmos à fonte que anima nossos melhores propósitos.

As cidades podem ser excelentes salas de aula para aperfeiçoar a nossa forma de estar com os outros neste mundo; para testar nossa perseverança frente às dificuldades e para reforçar nossa capacidade de nos mantermos ligados ao Alto, ainda que enredados nos véus da matéria. A vida comum, com todas as imperfeições das quais somos atores e espectadores, nos estimula a desenvolver o “monastério de dentro”.

Neste santuário íntimo, todos os esforços que empregamos para sermos melhores conosco, com os outros e com o Universo, nos níveis físico, emocional e mental, são pequenas formas de ascetismo. A determinação firme de superar nossas próprias fraquezas, vícios, medos e auto-enganos são aquilo que podemos chamar de uma ascese possível.

Cabe a cada um julgar a extensão das asceses possíveis que consegue incorporar em sua vida. O importante é se dispor a dar passos graduais e cultivar a força necessária para formar novos hábitos, ou se desfazer de velhos. E viver com gratidão pela chance de buscar um melhoramento espiritual consciente, sadio e sustentável.

Felizmente, quanto mais nos esforçamos e mais sinceramente o fazemos, tanto mais ajuda recebemos. A ajuda, que às vezes só é compreendida em retrospecto, vem em forma de tudo que nos alinha com o melhor que podemos ser num determinado momento: contextos que favorecem, adversidades que ensinam, pessoas importantes, energias que apaziguam, ideias que nos fortalecem e sincronicidades que nos impulsionam um pouco mais adiante.

Arte: Jimmy Lawlor
Arte: Jimmy Lawlor