Despertar para a própria pequenez

Muito tenho visto, pela internet, mensagens procurando definir o que seja o “despertar da consciência”. As concepções da expressão são tão diversas que senti vontade de escrever um pouco sobre o tema.

Tem me chamado a atenção, particularmente, o fato de que na maioria destas mensagens há um tom condenscendente, que fala de um lugar superior (o do “desperto”) a uma platéia de dormentes alienados, procurando mostrar aos supostos “não despertos” o caminho para um “melhor enxergar” de coisas. A expressão é usada indiscriminadamente em contextos políticos, acadêmicos, filosóficos, religiosos, místicos e espirituais, sempre apropriada e moldada de forma a dar suporte ao ideário daquele que se professa desperto, claro.

Nada de errado em ter os próprios pontos de vista e gostar de compartilhá-los para estabelecer diálogos construtivos. É um ímpeto natural e importante quando se procura questionar as coisas e exercitar o próprio discernimento. Acho muito curioso, porém, quando em qualquer destes contextos alguém realmente se acredite vidente da verdade última, e se sinta confortável nesta posição a ponto de querer doutrinar, muitas vezes de forma combativa, odiosa e irônica, outras pessoas.

Talvez haja um profeta arrogante latente em todo ser humano. Cabe a cada um saber controlá-lo, pois enquanto alguns se regozijam em seu deleitoso devaneio de superioridade, o Universo segue existindo com toda a sua vastidão e mistério. Talvez possam um dia despertar é para a sua própria pequenez, e caminhar pela pequena bola azul com uma melhor consciência do seu não saber e uma maior vontade de irmandade.

Por fim, reproduzo aqui uma das definições com que mais concordei de “despertar da consciência”, já que aponta justamente para o despertar como abertura do coração e domínio do ego. O texto foi recebido pelo mailing dos amigos do portal consciencial.org.

12 Sintomas de um possível despertar

J. Krishnamurti

1. Uma tendência crescente de deixar as coisas acontecerem ao invés de
tentar controlá-las;
2. Ataques frequentes de alegria, sorrisos sem explicação e explosões de
risos a qualquer momento;
3. Sensações de estar intimamente conectado aos outros e à natureza;
4. Episódios frequentes de apreciação e admiração com coisas simples;
5. Uma tendência de pensar e agir espontaneamente, no lugar do medo baseado
na experiência passada;
6. Uma nítida habilidade de curtir cada momento;
7. Uma perda da habilidade de se preocupar;
8. Uma perda do desejo por conflito;
9. Uma perda de interesse por tomar as coisas como pessoais;
10. Uma perda de apetite em julgar o outro;
11. Uma perda de interesse em julgar a si mesmo;
12. Uma inclinação em dar sem esperar nada em troca.

despertar cósmico