Como me tornei (quase) vegana

(e coisas que eu gostaria de dizer a quem quisesse escutar)

Dezembro de 2017. Tarde de sábado na casa da minha mãe, todos antecipando com alegria um jantar clássico no cardápio da família: o cachorro quente da Dona Erica. Uma comidinha que me permitia comer uma ou duas vezes por ano, porque sei do quão mal à saúde fazem os embutidos – ainda que os de aves, que eram meus preferidos. Então para mim era ‘o dia do cachorro quente’!

Telefono para o meu marido, convidando-o para se juntar a nós. Ao longo dos tantos anos em que estamos juntos, ele sempre partilhou da alegria daquele tipo de jantar. Mas ao ouvir meu convite, recusou, e me fez um pedido: “não come salsicha. Por favor. Depois eu te conto por quê”.

Ele havia passado parte da tarde assistindo a um documentário, disponível na Netflix, chamado ‘What The Health?‘ (Que Raios de Saúde?). E assim como eu, que assisti depois para entender os motivos do alerta dele, ficou impressionado com os fortes argumentos sociais e médicos a favor de uma dieta que não contivesse nada de origem animal (plant-based diet; ou vegetarianismo estrito).

O argumento da saúde – arrematado por outros documentários na mesma linha, como o ‘Forks over Knives‘ e o ‘Hope – What You Eat Matters’ – foi forte o suficiente para decidirmos nos informar mais e tentar mudar nossa alimentação de forma radical. Até então comíamos carne eventualmente; frango, ovos, queijo e leite diariamente. Depois do primeiro documentário, já partimos para cortar tudo isso, substituindo por alternativas vegetais que contivessem os mesmo tipos de macronutrientes. Descobrimos que alguns micronutrientes precisam ser suplementados, mas hoje em dia tudo está muito bem documentado, o que facilita a vida para quem não tem preguiça de se informar. Percebemos logo que ser vegetariano estrito (ou ter uma dieta vegana) dá um pouco de trabalho no começo, mas não é nada de outro mundo.

O corpo demora algumas semanas para se adaptar. No início sentimos um pouco de fraqueza e ‘nuvem mental’, provavelmente porque ainda não sabíamos escolher todos os nutrientes necessários para o corpo nessa nova dieta. O lado da força de vontade também precisou funcionar forte num primeiro momento. É que antes, como já éramos um pouco antipáticos à carne, consumíamos derivados de leite em excesso. Coisas como queijo e manteiga não deixaram de ser gostosas, então abrir mão delas foi um sacrifício voluntário.

Comer em restaurantes se torna bem mais difícil, e eventos sociais em geral requerem alguns ajustes e preparação prévia. Tudo contornável, mas numa sociedade em que comer carne é motivo de celebração, a sensação melancólica de desencaixe cultural pode bater com força em alguns momentos.

O aspecto mais difícil para mim talvez tenha sido esse, o cultural. Infelizmente em muitos lugares do Brasil, incluindo a região onde moramos, muitas pessoas sequer sabem o que é veganismo. Entre as que sabem, predominam estereótipos e muitas expressam surpresa e desconfiança em relação a essa forma de se alimentar.

Muitas pessoas, muitas mesmo – eu sei porque eu já me senti assim perante veganos que conheci antes – secretamente sentem uma antipatia e até uma defensividade quando sabem que somos veganos, porque acham que estão sendo julgadas e inferiorizadas por não partilharem da mesma filosofia.

É verdade que a atitude agressiva de alguns veganos justifica isso, mas como em toda tribo, existem as diferentes correntes, e o erro de alguns não deveria tirar o mérito da causa por ela mesma. Felizmente existem os veganos que lutam por um mundo mais ético para os animais mas que ao mesmo tempo respeitam o espaço e o tempo das outras pessoas. Aliás, um exemplo bem legal dessa vertente do veganismo mais pacífico é o trabalho do Fábio Chaves, do portal Vista-se, que estou sempre acompanhando.

Voltando à história da nossa mudança, ela foi motivada num primeiro momento pela saúde, mas algumas semanas depois, nas pesquisas sobre o assunto, nos deparamos com um filme clássico do movimento vegano, chamado Terráqueos (Earthlings). Esse filme aborda o assunto por um outro ângulo: o da (falta de) ética para com os animais do planeta Terra. É um filme forte, e por isso não o recomendo àqueles que ainda não se desapegaram dos alimentos de origem animal e sentem culpa por isso. É preciso estar pronto, desapegado da ideia de consumir animais e seus derivados, caso contrário corre-se o risco de ficar deprimido e oprimido por ainda mais culpa.

Na verdade, não consegui assistir esse filme até o final. Quando chegou nuns 45min, presenciar aquele sofrimento todo ficou insuportável. Mas, em meio às lágrimas, o argumento enfim alvoreceu na minha consciência: os animais não existem nesse planeta para me servir. Eles são seres sencientes que têm igual direito de habitar esse planeta; e assim como nós, querem preservar a própria vida, a prole, e desfrutar de liberdade. E nós, humanos (me incluo), somos para eles como eram os nazistas para a humanidade: algozes etnocêntricos dessensibilizados para o mal profundo e o sofrimento sistemático que causamos aos animais.

Evitar ficar pensando na origem do alimento para não se ver preso em um dilema ético é sempre uma opção – foi a minha por muitos anos. Como tantas outras coisas na vida, só é possível continuar se comportando de certo jeito quando ignoramos as relações e as consequências envolvidas naquela escolha. Mas uma vez que se sabe, não é mais possível continuar errando. Ao menos não sem uma grande dose de culpa.

Nós escolhemos não ignorar mais. Além da saúde, o mal que causamos aos animais e o pouco esforço que as pessoas estão dispostas a fazer para repensar seus gostos e necessidades – principalmente tendo em vista que o ato de comer animais tem implicações éticas porque produzem vítimas – passaram a nos incomodar, gradativamente.

Mas isso não quer dizer que julgamos os outros ou que nos sentimos superiores. Essa é uma acusação comum feita aos veganos, provavelmente porque muitos abordam essa questão de uma maneira agressiva e excludente, que ao meu ver é inadequada. Ficar com ódio dos humanos é uma distorção do propósito ético, afinal o amor é uma força inclusiva. O amor aos animais não pode de forma alguma excluir o amor aos seres humanos também.

Sobre isso, gosto sempre de dizer que não sou perfeitamente vegana – daí o ‘quase’ do título – porque não me desfiz de acessórios de couro que eu tinha antes de realizar a mudança, não fiz uma varredura integral nos produtos não alimentares que continuo consumindo, como cosméticos, produtos de higiene e limpeza, e não tive coragem (por desinformação talvez) de mexer na alimentação da minha filha. Tudo isso está no horizonte dos ajustes que desejo fazer, mas não me sinto superior às pessoas não-veganas. Me sinto muitíssimo próxima a elas, em muitos sentidos. Eu entendo que a compaixão está no coração da maioria, mas a inércia, o medo e a desinformação impedem muitos de se colocarem numa posição mais ética em relação aos animais.

Secretamente, torço sim para que cada vez mais pessoas despertem para a necessidade e possibilidade de nos alimentarmos de forma feliz e saudável sem precisar explorar os animais do planeta.

Eu torço, mas não fico enchendo o saco de ninguém. Tenho a esperança de que o veganismo seja o futuro da humanidade (já foi até o passado em algumas culturas), e a humildade de saber que coletivamente isso ainda vai demorar muito tempo. Eu me interessei há pouco tempo, e embora eu saiba que para mim foi um passo irreversível, entendo o que é estar nessa outra posição. O tempo de cada um precisa ser respeitado.

O meu tempo, graças a Deus – que através do meu marido deu o toque inicial nisso tudo – já começou. E como me sinto cada vez mais viva, saudável e feliz nesse caminho, é o que naturalmente desejo a todos aqueles a quem amo.

‘Go vegan’, e garanto que você também não vai se arrepender.
🌱👍😊

Amor de mãe

Linda declaração de uma mãe à sua criança, traduzida e adaptada do original em Inglês.

Querida filha,

Estou com você.

Eu estava com você quando estava na minha barriga. Estava inchada, pesada, cansada, me sentindo como um alce, mas estava com você.

Eu estava com você nos segundos, minutos e horas do parto, quando eu realmente achava que não conseguiria continuar.

Eu estava com você quando a abraçei e cuidei, e cheirei a sua pele perfeita pela primeira vez.

Eu estava com você às 3h e novamente às 3:45. Eu estava com você quando tropecei no escuro para tirá-la do seu berço. Eu estava com você quando eu negociava com Deus para você dormir.

Eu estava com você quando chorei porque estava muito cansada, e minhas calças não entravam, e não tinha tempo nem para escovar os cabelos.

Eu estou com você quando você se infiltra na minha cama à noite e sou empurrada para a beirada do colchão.

Estou com você quando você dá um escândalo por algo que deseja, e quando você age como se eu estivesse tentando lhe envenenar com o jantar.

Estou com você quando você revira os olhos e se afasta. Eu sempre estarei com você meu amor, não importa o quão brava fique comigo.

Estou com você quando nos aconchegamos no sofá e assistimos a um filme.

Estou com você quando me faz um milhão de perguntas antes de eu ter bebido o meu primeiro gole de café.

Eu estou com você quando estou mal humorada e você percebe. Estou com você quando estou impaciente e reclamando de coisas tolas como comida no sofá.

Estou com você quando você perde suas meias e sapatos e já estamos quinze minutos atrasadas.

Estou com você quando quer um abraço, e quando não quer também.

Eu nem sempre acerto; muitas vezes erro, mas estarei com você para sempre, não importa o quê.

Estarei com você se você receber boas notas, e estarei com você se estiver com dificuldade na escola.

Estarei com você quando você tiver sucesso e estarei com você quando você cometer centenas de erros.

Eu também cometi, meu amor, e entendo melhor do que você sabe.

Estarei com você se você se tornar uma astronauta, ou uma professora, ou uma pessoa que está apenas batalhando para encontrar o seu caminho. Todos batalhamos, meu amor. Você nunca pode me decepcionar, porque sou sua fã.

Você não tem que conquistar nada, e nem nada para provar.

Estou aqui para sempre.

Não há nada que você possa fazer que possa me afastar um passo de você.

Nunca.

Você é a minha querida sempre, para sempre.

Eu escolheria você antes de cada noite repousante e cada dia indolor, mil vezes novamente.

Com amor,

Mamãe.

Quando me amei de verdade

Trechos do livro de Kim McMillen, When I loved myself enough (1996)

“Quando me amei de verdade
pude compreender que, em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,na hora certa.
E então pude relaxar.

Quando me amei de verdade
pude perceber que o sofrimento emocional
é um sinal de que estou indo
contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade
parei de desejar que a minha vida fosse diferente
e comecei a ver que tudo o que acontece
contribui para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade
comecei a perceber como é ofensivo
tentar forçar alguma coisa ou alguém
que ainda não está preparado.
– inclusive eu mesma.

Quando me amei de verdade
comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças –
e qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!

Quando me amei de verdade
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.

Quando me amei de verdade
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.

Quando me amei de verdade
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.”

Peter Deunov – A Lei do Amor

Peter Deunov (também conhecido por seu nome iniciático Beinsa Douno), foi um mestre espiritual que viveu entre os anos de 1864 e 1944 na Bulgária, onde liderou estudos e práticas espirituais inspirados principalmente na filosofia do Cristianismo Esotérico.

O extrato a seguir foi retirado do livro The Wellspring of Good – The last words of the Master, disponível em Inglês para download neste link . Tradução para o Português por Samantha Sabel.

A Lei do Amor

[Introdução do editor]: Independentemente das muitas conquistas que foram realizadas por pessoas hoje nas áreas da ciência, artes, tecnologia, bem-estar social e distribuição de recursos econômicos – uma coisa ainda está faltando: o Amor. Somente através do Amor podem todas essas realizações serem benéficas, de grande valor para todos. Somente através do Amor podem ser usadas de tal maneira que tenham significado. Se as pessoas não abraçarem o Amor, perderão tudo e experimentarão a ruína.

O Mestre pregou sobre o Amor como o caminho da salvação para toda a humanidade. Ele revelou suas manifestações, qualidades, ações e Leis, bem como a riqueza infinita do mundo perfeito do qual este Amor veio. Ele testemunhou este mundo com sua vida, seu ensinamento, e todas as suas ações.

O Mestre sempre tinha algo de novo a dizer sobre o Amor. Um dia, ele nos disse:

“No momento em que alcançarmos o Amor, seremos um com Deus. Quando falo sobre o Amor, você precisa entender isso. Estou falando do único jeito de conhecer Deus. Se não viermos a conhecer Deus, ele não poderá nos dar o seu Conhecimento.

A Lei afirma: quando você falar sobre Amor, fale com a sua voz mais suave. Fale tão suavemente que você mal consiga ser ouvido. E fale suavemente sobre a Luz e a Sabedoria também. Fale tão suavemente quanto o amanhecer.

As Virtudes Divinas têm sua fragrância. Se a Justiça entrar em seu coração, a Verdade em sua mente e a Sacralidade em seu poder, você vai emitir uma fragrância interior mais agradável do que a das flores. Essa fragrância interior, esse sublime aroma, é chamado de ‘nyuks’. Não há néctar melhor do que este criado pela natureza. Os alquimistas procuraram esse elemento há séculos. Quando você descobri-lo, você será uma pessoa feliz, e sua alegria será além das palavras. O Amor é o principal componente neste néctar. Por exemplo, você sabe quem te ama, mesmo quando essa pessoa não pronunciou uma palavra. O Amor tem uma fragrância forte como a do cravo; você pode sentir de longe.

Existe uma Lei na Vida, a Lei da Diversidade, pela qual todos podem manifestar o Amor segundo a sua compreensão, e eles nunca farão o que é errado. Portanto, não é necessário ensinar as pessoas a amar.

Outra característica única do Amor é que você não pode expressar Amor da mesma maneira para todos. Seu Amor para cada pessoa é única. Porque cada pessoa é uma manifestação única de Deus, cada um manifesta seu Amor de uma maneira específica. Você pode sentir essa distinção sutil. O seu Amor tem uma qualidade única e intrínseca que nenhuma outra pessoa possui. É isso que torna cada pessoa única.

O Amor primeiro se manifesta para Deus – para o Sublime – então para os fracos, necessitados, abandonados e, finalmente, seres afins. Esta última manifestação de Amor é chamada de ‘Amor de seres semelhantes’. Neste Amor existe uma troca entre as almas. Este é o Amor em seu estado de ascensão, através do qual as almas são capazes de evoluir e a consciência é capaz de se expandir.

Se uma pessoa boa mas de caráter fraco se enamorar por alguém que está na escuridão, a pessoa boa começará a errar e a assumir as falhas do outro. No entanto, se uma pessoa boa experimenta o Amor Divino, isso não acontecerá.

Para habitar na presença do Amor, deve-se tomar o caminho da ascensão; isto é, deve-se entrar em união com o Mundo Invisível e com Deus. Uma boa pessoa é aquela que está unida com aqueles que são poderosos, com aqueles que vêm do Alto. Se não estiver, tirarão vantagens dela pelo fato de ser boa. E no entanto, quando você está unido com aqueles que são poderosos – com o Divino – toda a sua riqueza será depositada no Banco Divino e você se tornará protegido.

Existe uma Lei que afirma: quando duas pessoas se gostam ou se desprezam mutuamente, receberão uma da outra os traços de caráter mais positivos e virtuosos no início, e depois isso, os traços de caráter mais negativos e imorais. Isto é uma Lei inextricável. Independentemente de você gostar ou desprezar uma pessoa, você começará a se comportar como ela. Você pergunta: ‘O que posso fazer para me libertar desta Lei?’ Você não pode se libertar desta lei. Mas você pode amar o Divino dentro de cada ser humano. Portanto, ame a Deus dentro de quem Ele mesmo se manifesta, para que você possa começar a amar como Ele faz. Por esta razão, Comece a amar o Divino em todos os seres.

Outra Lei do Amor afirma: quando você ama outro, você recebe a metade do seu estado bom ou ruim. Se ele se tornar empobrecido, você também se tornará pobre; se ele se tornar rico, você adquirirá metade de sua riqueza.

Outra Lei afirma: Mesmo que todos o desprezem, haverá sempre quem te ama. Quando todos começam a amá-lo, sempre haverá pelo menos um que não o ama. Isto não pode ser evitado. Esta Lei baseia-se no nosso nível atual de desenvolvimento.

Você conhece uma pessoa que parece amar você. Por que ele te ama? Houve um tempo em que você quis que ele te amasse e agora, ele ama você. Incompreensíveis são os caminhos de Deus.

Uma Lei é afirmada da seguinte maneira: quando você percebe a coisa mais sublime dentro de alguém, essa pessoa se sentirá atraída por você.

Outra Lei do Amor afirma: aquele que permanece no Amor terá o poder de atrair outros para si mesmo. Se ele passar por uma pessoa, isso é suficiente para ser seguido. No entanto, a pessoa que permanece no Amor só será reconhecida por aqueles cuja consciência foi despertada. Mas, para aqueles que não foram despertados, ele é considerado uma pessoa comum. Aquele que permanece no Amor pode ser comparado a uma flor em florescência que atrai as abelhas. Por que todos são atraídos por esta flor? É porque há algo que podem receber dela. Isto é o que representa o Amor, a vida ideal. Se a Lei do Amor nos fosse transmitida, teríamos o poder de atrair os outros. Uma das suas atribuições é receber de Deus e transmitir a outros o que foi recebido. Quando você ama alguém, é porque outras pessoas te amam, e com esse Amor você o ama. Esta é a Lei da Unicidade do Amor.

Quando eu digo que amo alguém, é porque eu sei que este Amor já chegou à realização. Poderia ter chegado à realização no plano físico, no plano espiritual ou no mundo divino.”

Um irmão perguntou: ‘Como o Amor é capaz de se contaminar?’ O Mestre respondeu:

“Todos os pensamentos que alcançam você se tornam seu ambiente pessoal. Quando o Amor entra neste ambiente, ele absorve a influência dos seus pensamentos negativos e dessa maneira se torna contaminado.

Uma Lei do Amor reina suprema: aquele que te ama se alegra com a menor coisa que você oferece. Aquele que te ama pode te dar uma pequena semente, e você deve se alegrar com ela pois algo grande será gerado. Apenas o Amor é capaz de criar algo excelente da menor das coisas. Sempre que uma pessoa habita fora do Amor, as coisas mais grandiosas irão diminuir. E, no entanto, quando uma pessoa reside no Amor, a menor das coisas crescerá.

Todos nós precisamos testar essas coisas.”

Beinsa Douno (Peter Deunov)

Rosa vermelha sob a luz da aurora.

Moana, um conto solar

Uma das vantagens de ser mãe de criança pequena é o contato com produções artísticas e culturais de qualidade voltadas para esse público. Produções que de outro modo talvez não priorizaríamos prestigiar, achando, desde nosso lugar de adultos, tratar-se apenas de mais um ‘desenho infantil’.

Quero escrever então uma recomendação para que todos que gostam de se sentir elevados e inspirados assistam a uma animação que vi junto com minha filha há algumas semanas. Os sentimentos positivos trazidos pela produção Moana (2017), dos estúdios Disney, continuam reverberando toda vez que paro para lembrar dessa alegre estória.

Moana conta a saga a de uma menina que cresce em uma ilha do Oceano Pacífico, designada a ocupar por direito de nascimento o posto de chefe da sua tribo. Mas Moana vive um dilema de alma: parte dela ama a vida que está destinada a ter na sua ilha natal, enquanto outra parte, a intuição do seu coração, chama-a para se aventurar em mares desconhecidos. Moana tem uma relação especial com o mar e a navegação; o horizonte misterioso exerce sobre si uma tração irresistível que de início parece estar em contradição com o papel tradicional que precisa ocupar na sua tribo.

Ao longo da estória a moça vai descobrindo, com o auxílio de sua sábia avó xamã, o significado deste seu chamado intuitivo. Entregando-se para uma aventura cheia de magia e espiritualidade, Moana descobre uma forma de reconciliar o seu profundo dilema cumprindo o seu papel de forma surpreendente, resgatando a esperança do seu povo unindo ao mesmo tempo coragem inovadora e tradições há muito esquecidas.

A trama de Moana é sensivelmente inserida em uma simbologia antiga, xamânica e solar, e certamente foi escrita por alguém que não passa ao largo desse tipo de tema. É uma producao de qualidade rara, cheia de beleza sutil e simbologia espiritual, capaz de deixar qualquer adulto encantado, mais talvez do que as próprias crianças.

E para terminar, deixo os links da música tema da menina Moana no original em Inglês e na versão em Português.

O saudável exercício de sair de si mesmo

Tenho visto cada vez mais circular na literatura popular, acadêmica e espiritualista a ideia da importância de se ter uma atividade imbuída de propósito. A experiência do propósito já é amplamente reconhecida como uma força que combate a ansiedade, os estados depressivos e o vazio existencial.

Faz sentido pensar que uma vida voltada apenas para si está fadada a cair num vazio, pois inevitavelmente chegará o momento em que a pessoa ensimesmada constatará a irrealidade do próprio ego. Se assentamos nossa base existencial no engodo de nossas frustrações e quereres fugazes, mais cedo ou mais tarde teremos de reconhecer que havia na vida muito mais do que nossas preocupações e percepções egoístas. A desconexão que construímos ao nos relacionarmos com os outros enquanto egos separados e demandantes é receita certa para o sofrimento.

De minha parte, tenho feito um exercício de observar meus próprios estados mentais e emocionais antes, durante e logo após os momentos em que trabalho como terapeuta. Oferecer terapia é um trabalho que envolve mergulhar no universo psíquico das pessoas que vêm até mim e procurar, junto com elas, as luzes, saídas e alívios adequados às dores e contextos que cada uma vive.

Por ora, não são muitos os pacientes que encampo ao mesmo tempo para um trabalho mais profundo e prolongado. Já que o contexto pede e possibilita, prefiro trabalhar com poucas situações e assim conseguir me dedicar com maior qualidade a elas. Na prática, concentro as poucas vagas que ofereço num determinado dia da semana. Como cada atendimento envolve trabalho antes, durante e depois da sessão, acabo preenchendo ao menos dois dias da semana com essa atividade. São dois dias em que claramente percebo o quão menos ensimesmada consigo ficar.

Essa história de que ao ajudar os outros estamos em primeiro lugar ajudando a nós mesmos é muito real em minha experiência. Eu sinto isso todas as vezes em que atendo, escrevo, ou me entrego a uma atividade de forma espontânea e inteira, por exemplo sendo mãe para a minha pequena de quatro anos.

Estar inteiro em uma situação que nos transcende é uma boa oportunidade que a consciência tem de reorganizar os cacos mentais e emocionais que sobram todas as vezes em que passamos períodos prolongados pensando sobre nós mesmos sem realizar nada pelos outros, encastelados em nossas próprias certezas, memórias, planos e devaneios. A ação construtiva em benefício alheio tem um grande poder de organizar e curar a alma de quem a realiza.

Nos momentos em que eu tinha essa convicção apenas como afirmação teórica, chegava a duvidar de que fosse realmente assim. Agora, constatando na prática o salutar efeito de sair de mim mesma com mais regularidade, sei por experiência que pensar menos em mim e realizar algo por outros é uma experiência que equilibra a própria alma. Alguma mágica acontece que nos faz sair da experiência melhorados, mais contentes, otimistas e apaziguados. E a esse contentamento se segue a responsabilidade de retornar a nós mesmos com a clara consciência de que a vida é muito maior do que os dramas que nosso ego tanto valorizava quando se imaginava sozinho.

Perceber que para além de um ego somos consciências cuja experiência se conecta com a do próximo, e que com o próximo podemos aprender muito sobre nós mesmos, tem sido o maior benefício de sair um pouco mais frequentemente de mim. Quanto mais saídas desse tipo realizo, mais incapaz meu ego fica de sustentar sua ilusão predileta, a de que tudo que lhe acontece ou deixa de acontecer tem suma importância na cadência do universo.

Bom seria se fôssemos capazes de manter essa saudável percepção ao longo de toda nossa vida. Se pudéssemos afirmar, de coração leve, que em nossa passagem por aqui aprendemos a realizar mais e a exigir menos.

Enquanto isso, seguimos tentando aprender a sutil mas essencial diferença entre estar centrado e estar ensimesmado.

De volta

Querido leitor(a),

É com felicidade que volto a abrir esse canal de comunicação na internet. Depois de algumas mudanças significativas no contexto de vida, principalmente voltar a morar no Brasil e recomeçar um trabalho aqui como terapeuta, precisei de uma pausa para repensar a maneira como queria estar presente nas redes sociais.

No contexto mais recente de Londres, quando minha filha já não era mais tão bebê e começou na escolinha, eu podia passar longas horas curtindo leituras saudáveis, aprendendo coisas do meu interesse, ouvindo músicas maravilhosas, caminhando, observando o pacato bairro hindu onde morávamos e meditando sobre muitas coisas. Muitos posts do samsabel.com anterior nasceram nesse contexto.

Lembrando agora daquela época, tenho a sensação de que eu vivia uma espécie de preparação sabática para uma fase mais ativa e interativa que vivo hoje. Desde a volta ao Brasil o meu tempo para essas atividades interiorizadas ficou bem menor, um efeito natural de voltar a estar mais próxima de um círculo maior de pessoas conhecidas, amigas e familiares.

Mas continua sendo da minha natureza buscar refúgio dentro de mim sempre que tenho a oportunidade – é a minha forma de recarregar as baterias. E nessas horas, continuam surgindo inspirações que me levam a querer compartilhar materiais que, pela sua natureza diversa, não se encaixam bem na minha página profissional, cujo tema é direcionado mais para a psicoterapia e os florais.

Por isso, decidi reativar esse espaço de comunicação mais livre, sem tanta preocupação em medir os escritos para que caibam dentro de um tema. O blog é algo mais leve, mais solto e mais pessoal, e arrisca ser desinteressante para os outros por esse exato motivo, mas pelo menos cumpre em mim a função de aliviar o ímpeto de expressar coisas que penso valerem a pena.

Assim, aos poucos, quando em meio ao atarefado dia a dia a inspiração resolver aparecer, vou voltar a usar esse endereço como destino para os eventuais novos conteúdos que surgirem.

Um abraço, bem vindo de volta, e obrigada por me ler.

Samantha.

Último blog post

Era Janeiro de 2013, em Londres, Inglaterra. Há quatro anos, olhando através da janela para um lindo jardim nevado, não pude mais conter dentro de mim a chuva de palavras que me inundava. Eu queria falar de tantas coisas, de tantos assuntos. Estava grávida, de corpo e de alma. Tinha recém chegado naquele país frio, com o qual sentia ter laços antigos. Havia tanta coisa para processar, tantas emoções para sentir, tantos aprendizados a passar…

Assim veio a decisão de começar um blog. Não tinha sido a primeira vez que começava um, mas todos os outros haviam perdido o sentido após alguns posts. De início, o samsabel.com era apenas um meio de verter as ideias em um período de intenso sentir. Eu imaginava então que seria um blog muito mais de repasses do que de autoria. Mas um misto de inspiração com necessidade de compartilhar fez com que acabasse sendo o contrário. E assim foram quatro anos escrevendo, em duas línguas, mensagens que foram visualizadas cerca de 40 mil vezes por pessoas em mais de cem países diferentes.

Hoje, retornada ao Brasil e me reorganizando por aqui, sinto que é hora de recomeçar, em muitos sentidos. Com a presença virtual não é diferente. Esse blog como era teve sua razão de ser, mas já há alguns meses venho sentindo que cumpriu o seu papel. E por isso me despeço dele com o mesmo carinho que senti pelo pequeno robin-de-peito-vermelho que pousou na janela, naquela manhã gelada de Janeiro, como que para me dizer:

– “Sim! Vá em frente. O que você está sentindo e pensando é algo que vale a pena ser compartilhado”.

Obrigada a todos que me acompanharam até aqui! Nos reencontraremos em breve.

Um grande abraço,
Samantha.

Robin Europeu

Ser feliz é simples

Ser feliz é simples. Nós é que muitas vezes resistimos a essa simplicidade. Gostamos de nos acreditar complexos e indecifráveis, de nos sentir únicos e especiais. E, embora isto seja verdadeiro no que tange aos caminhos pessoais de manifestação, somos também, em nossa essência, irmanados por uma unicidade simples.

O um é simples. A luz, origem de tudo, também. A conexão integral com o espírito se dá primordialmente pelas atividades mais simples. Os bens que preenchem e alegram a alma são singelos e imateriais.

A liberdade serena. O trabalho inspirado. A amizade. A paz. A compreensão. O amor. A consciência. Nossa passagem na Terra serve para aprendermos a caminhar com a chama destes valores sempre animando o nosso viver. Quando afastamo-nos deles, sofremos e fazemos sofrer. Adoecemos, e adormecemos…

Os caminhos da evolução do espírito estão abertos, e os seus mapas apontam para a simplicidade. Que não nos faltem lucidez e tenacidade para trilhá-los. E que a leveza de tudo que é bom, justo e simples nos ajude hoje a plantar as sementes de um belo amanhã.

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Impermanência da matéria, Eternidade do espírito

Semana em pleno andamento, preocupações pé no chão a todo vapor. Trabalhar, ganhar o pão que se come, cuidar de onde mora, do corpo, das crianças, dos pais, dos bichinhos. Arrastar o corpo pra lá, arrastar o corpo pra cá, resolver coisas. Acompanhar as notícias, se engajar com questões políticas e sociais contemporâneas, se preocupar, se emocionar, lembrar e sonhar… tudo dentro do escopo dessa nossa existência limitada, não é mesmo?

Girar junto com essa roda é inevitável e faz parte do caminhar na Terra. Mas é bom, muito bom, fazê-la parar mentalmente com alguma frequência e colocar as coisas na sua devida perspectiva.

Olhar para as estrelas é um exercício clássico nesse sentido. Mas tem um outro que também me fascina: pensar na longa história geológica da Terra e em como civilizações tão complexas e fervilhantes quanto a nossa atual transformaram-se, do ponto de vista físico, em simples camadas geológicas sobrepostas uma à outra, por ordem de antiguidade material.

Rock_Strata

Sim, tudo o que se vê com os olhos físicos, tudo que tocamos com as mãos físicas, os cheiros que sentimos, todos os corpos que conhecemos, todas essas coisas às quais damos tanta importância no dia a dia: um dia tudo isso perece e desaparece, transformando-se radicalmente ao ser reabsorvido pelos elementos da Mãe Terra.

As camadas geocronológicas da Terra revelam a história Dela, que é também a história dos nossos corpos e objetos físicos, e mostram como todos eles retornam, um dia, ao seio da Mãe.

O que fica é apenas o que se sente, o que se pensa, o que se É. O que sobrevive, o que deixa marcas eternas, é tudo aquilo que é do Espírito. Ele, que eternamente se recasa com a Natureza, para formar novos corpos e novas civilizações, no anseio de aperfeiçoar cada vez mais a sua manifestação. E nós somos parte dessa história, desta saga espiritual de auto superação.

Que saibamos, então, exercitar a suspensão dos véus opacos da matéria, fazendo nossas escolhas, agindo e caminhando sempre conscientes da eternidade de nosso espírito.

sand-mandala

Gratidão aos ensinamentos diamantinos do Buddha.