A psicologia das teorias da conspiração

Por que tantas pessoas acreditam em teorias da conspiração?

É verdade que uma dose de espírito crítico quanto ao status quo é sempre bem vinda para manter-se saudável em um mundo muitas vezes doente. Mas existem alguns limites de razoabilidade que às vezes são ultrapassados no questionamento das coisas, como acontece com a teoria da Terra plana, ou a tese de que a pandemia do coronavírus não existe.

Intrigada por esses tempos em que as mais absurdas ideias clamam pelo direito de serem defendidas como opinião válida, e provocada por uma amiga a responder o que leva alguém a defender ferrenhamente esse tipo de insensatez, fui buscar em artigos de psicologia social uma resposta mais completa.

Cheguei a essa lista de  mecanismos cognitivos e comportamentais conhecidos da velha psicologia, documentados por estudos ao longo das últimas décadas. Esses fenômenos são verdadeiras tendências mentais em que alguns grupos facilmente podem cair, principalmente em tempos de incerteza social e medo coletivo. Funcionam como mecanismos adaptativos, e ajudam a explicar o que está por trás desse tipo de obstinação.

1.Viés de correspondência (mais conhecido pelo termo em inglês, fundamental attribution error). É o fenômeno de termos preferência por acreditar em motivos disposicionais (intenções) para explicar eventos, enquanto subestimamos acontecimentos que são aleatórios e circunstanciais. Assim, ao invés de aceitar que o coronavírus se originou de circunstâncias naturais de transmissão entre espécies, é cognitivamente mais atraente pensar na ideia de fabricação intencional por uma central maligna, ou numa grande trama (por exemplo da mídia ou da China) para criar intencionalmente um caos que de outro modo não existiria.

2. Viés de confirmação. Temos também a tendência a acreditar em tudo aquilo que confirma nossas crenças, e a refutar o que as faz cair por terra. Dessa forma, vamos nos alimentando cognitivamente de uma bolha de informações com as quais concordamos – fenômeno potencializado pelos algoritmos das redes sociais -, deixando de lado todo o contraditório, criando a ilusão de haver apenas evidências favoráveis à nossa tese.

3. Perseverança de crença. Procuramos manter nossas crenças mesmo depois de elas terem sido refutadas. É como que um instinto de preservação da própria identidade construída.

4. Desejo de sentir-se especial. É muito atraente a ideia de possuir conhecimentos que outras pessoas não têm. O sentimento de pertencer a um seleto grupo que vê as coisas com maior clareza do que os outros causa muita satisfação ao ego.

5. Uma tribo para chamar de sua. Teorias da conspiração alimentam nos seus seguidores o instinto de tribo, o sentimento de pertencer a uma comunidade e se sentir amparado e compreendido pelos pares. 

6. Busca ativa de sentido. O cérebro humano tem uma tendência a preencher lacunas, o que nos leva muitas vezes a enxergar padrões e sentidos onde eles não necessariamente existem. Pensemos por exemplo na capacidade que alguns têm de enxergar o rosto de Jesus numa torrada queimada, ou a silhueta de uma santa no embaçado de uma janela.

7. Pensamento religioso. Por falar em santos, as teorias da conspiração têm forte semelhança com a lógica da religião. Ambas atribuem a uma entidade desconhecida o poder de direcionar os acontecimentos do mundo. Assim como os religiosos, os teóricos da conspiração são refratários a argumentos, e inclusive vêem na tentativa de argumentar mais evidência de que há uma conspiração para convencê-los.

Então todas as vezes que encontrar um fanático de teorias que fazem pouco sentido, lembre-se do tipo de motivação que pode estar por trás desse comportamento. E fica a sugestão: guarde seu verbo, pois dificilmente conseguirá convencê-lo a ser mais razoável através de uma simples conversa.

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Nossas barreiras emocionais

As emoções são um aspecto central da experiência de ser humano. Algumas emoções se tornam difíceis para nós porque, quando crianças, não aprendemos a conviver com elas de forma pacífica e produtiva.

Assim, crescemos rechaçando algumas emoções nossas e dos outros como sendo “negativas”, pelo nosso desconforto pessoal em lidar com elas. Alguns exemplos de emoções que tipicamente varremos para debaixo do tapete em nós e condenamos nos outros: raiva, tristeza, medo.

Lia ontem sobre esse assunto, depois de esbarrar em alguns limites pessoais com esse tipo de emoção. Gosto muito do trabalho dos psicólogos norte-americanos do Instituto Gottman, que é focado em relacionamentos e família. Para a minha surpresa, numa avaliação que eles disponibilizam sobre a capacidade individual de aceitar emoções, descobri que me sinto desconfortável com a maioria delas! Meu score revela uma personalidade bastante “emotion-dismissive”, ou seja, a de alguém que costuma rechaçar certos grupos de emoções.

Lembrando de várias situações pelas quais já passei, essa inépcia emocional faz bastante sentido. É como se o saber acerca das emoções, que acumulei com estudo e trabalho, não acompanhasse a experiência pessoal, porque não adianta saber na teoria, é necessário viver certas coisas para poder de fato compreender. De certa forma, acho que sempre me ocupei de trabalhar o outro, assumindo que minha casa estava relativamente arrumada. Mas nos últimos tempos estou descobrindo que esse tema, o das emoções, é um dos mais difíceis de se dominar na prática do dia a dia!

Estou aprendendo que dispensar certas emoções como desnecessárias ou indesejáveis não as faz ir embora. Elas são naturalmente e intrinsecamente humanas, e assim precisam ser compreendidas, tanto em mim como no outro. Só conseguimos “lidar” com essas emoções quando, em primeiro lugar, as reconhecemos e aceitamos como parte normal e válida da existência. Na teoria eu já sei disso há tempos, mas nunca tinha parado para analisar como na prática eu falho nesse ponto; como costumo julgar e rechaçar certos tipos de emoção, em mim e nos outros.

Para desenvolver a inteligência emocional, precisamos nos permitir sentir e compreendender a função de todas as emoções, as agradáveis e desagradáveis. Evolutivamente, cada uma delas contribuiu para o desenvolvimento da espécie. E assim como a dor, a sua presença é um importante sinal de coisas que precisam e podem ser ajustadas em nossa vida.

Aceitar todas as emoções é o primeiro passo para transformar estados emocionais doloridos. Só depois disso é que podemos ficar mais à vontade na própria pele e chegar aos relacionamentos de forma menos defensiva, mais tranqüila e genuína.

E sei que não estou sozinha nessa dificuldade. As coisas vêm melhorando com o passar das gerações, mas maturidade emocional ainda é algo raro de se encontrar na sociedade. São muitas as pessoas que têm dificuldades para se relacionar com outras, tanto na vida pública como na vida privada.

Por trás disso está o fato de que para muitos de nós, talvez a maioria, é dificílimo aceitar e validar algumas emoções, próprias ou de outros. Tendemos a julgá-las como inadequadas, indesejáveis, e tentamos fazê-las desaparecer, em vão. Julgamos os outros de forma arrogante e pouco empática, quando na verdade estamos apenas negando que também temos as mesmas emoções desagradáveis dentro de nós.

Reproduzimos teorias acerca de emoções que nos foram transmitidas de formas conscientes e inconscientes ao longo da vida. Essas teorias pessoais acerca das emoções têm até um nome: meta-emoções. Como diferentes pessoas têm diferentes quadros meta-emocionais – isto é, diferentes julgamentos acerca de emoções específicas – o encontro verdadeiro, com as vulnerabilidades de cada um colocadas sobre a mesa, se torna muitas vezes um terreno delicado de se navegar.

É preciso muita perícia para dialogar com outro ser humano de forma veraz, empática e desprovida de julgamentos. Então precisamos treinar, e treinar muito, o despojamento de nossos julgamentos meta-emocionais. Eles são uma importante barreira que nos impede de ouvir verdadeiramente o outro e cultivar a paz em nossos relacionamentos.

Pequena e Grande

Quando estou pequena…
Me perco nos detalhes do cotidiano.
Duvido do meu valor e da minha beleza.
Duvido da minha capacidade, desisto de meus desejos e me perco em distrações.
Irrita-me o mau atendimento do funcionário, o destempero no trânsito, a pequenez do interpelador xenófobo. Me deprimo e me revolto com os fatos do noticiário.
Congelo de medo de perder as alegrias já conquistadas. Sinto culpa por coisas que fiz e deixei de fazer.
Engrosso o caldo das emoções densas da humanidade. Iludida, me isolo em altivez orgulhosa.
Duvido da lógica de Deus.
Perco temporariamente a conexão e a inspiração. O criar, que às vezes flui tão bem, se torna algo tão distante!
Me percebo pequena… começo a orar.

***

Quando estou grande…
A imensidão é minha casa.
Uma flor me emociona. E a densidade cinza urbana também.
Se instala em mim um olhar de poesia. É como estar apaixonada.
Compreendo serena as tragédias e injustiças da Terra… como quem assiste a um teatro sabendo que um dia tudo se encaixa no devido lugar.
Sorrio com placidez. Levo tudo com maior leveza.
Me encho de coragem perante a vida e as dificuldades que ela certamente trará.
Me centro naquela paz que não é desse mundo… e que por dele não sê-la só é compreendida por poucos.
Converso com bons espíritos que me ajudam com intuições. Vejo com nitidez a minha bússola existencial. Renovo o ânimo de segui-la.
Respeito a experiência alheia. Admiro as pessoas, conhecidas e anônimas, boas e más. Sei que fazem o melhor que sabem, mesmo quando esse saber ainda é pouco.
Confio no potencial humano – ele se revela no brilho dos olhares. Sou grata por também ter a chance de evoluir.
Me liberto, e liberto a todos de qualquer fardo emocional.
Nada me amarra e não amarro ninguém.
Podemos caminhar juntos… até um dia aprendermos a voar.

***

Entre ser pequena e grande, vou aprendendo a ser um pouco mais inteira. E a me expressar com um pouco mais de verdade.

História da Criação

História da criação da nação Hopi, Arizona. Postado originalmente em inglês pela página Our Earth

“A Criação disse:

‘Eu quero esconder algo dos seres humanos até que estejam prontos para isto. É a percepção de que eles é que criam a sua própria realidade’.

A águia disse:
‘Me dê isto. Eu levarei para a lua’.
O Criador disse: ‘Não. Um dia eles irão até lá e a encontrarão’.

O salmão disse:
‘Vou enterrá-la no fundo do oceano’.
O Criador disse: ‘Não. Eles também irão para lá’.

O búfalo disse: ‘Vou enterrá-lo nas Grandes Planícies’.
O Criador disse: ‘Eles cortarão a pele da terra e a encontrarão, mesmo lá’.

A Avó, que vive no seio da Mãe Terra, que não tem olhos físicos mas vê com os olhos espirituais, disse:
‘Coloque dentro deles’.
E o Criador disse: ‘Está feito’. ”

Arte: Vasil Woodland

O medo do outro apequena a experiência humana

Desde a queda do muro de Berlim, em 1989, a quantidade de muros erguidos em fronteiras ao redor do mundo subiu de 15 para 77, em sua maioria, após os atentados de 11 de setembro de 2001. Na maior parte dos casos, com a finalidade de conter fluxos imigratórios indesejados pela população local. Vivemos num mundo em que dinheiro e mercadorias circulam com ampla liberdade, mas seres humanos não.

É uma época – já houve outras na história – em que o sentimento anti imigrante se prolifera de vento em popa. Diversos foram os governantes recentemente fortalecidos pelo voto ou mesmo eleitos que encampam essa demanda que está em alta nos tempos atuais.

Que os muros tenham proliferado após um atentado terrorista é um sinal claro de que o sentimento despertado pelo estrangeiro é o de medo. Daí a perfeição do nome desse espírito de época a que assistimos diariamente nas notícias e rodas de conversa: xenofobia.

Desde a designação maniqueísta de um eixo do mal, as populações dos países ocidentais mais prósperos sentem-se ameaçadas em sua estabilidade e privilégios com o influxo deste outro que não se conhece muito bem. Em um mundo profundamente desigual, o sentimento humanitário e a consciência de corresponsabilidade histórica pela miséria dos países de onde partem os imigrantes e refugiados estão, infelizmente, fora de moda.

O medo desperta os piores conceitos nos corações das pessoas. E empobrece a experiência de ser humano, que poderia ser tão mais rica se nos mantivéssemos abertos a compreender aqueles que são diferentes de nós. Ao contrário do que a narrativa do medo quer sugerir, a presença do outro tem muito a somar, a engrandecer nossa bagagem subjetiva, tornando-nos mais maduros, mais maleáveis e menos arrogantes.

É claro que a abertura para o outro requer um certo despojamento de nossas certezas cristalizadas e por isso, desperta talvez um sentimento de vulnerabilidade. Mas fechar-se para aprender com o outro é como deixar de ir até a praia e preferir olhar o mar pela TV por conta do medo de que se for atravessar a rua vai ser atropelado. Ou seja: o medo do encontro com o estrangeiro impede o acesso à riqueza que é a diversidade da experiência humana. Quando escolhemos nos alimentarmos apenas do igual e do familiar, ficamos mais pobres. Se procurarmos viver o encontro com o diferente e aprender com ele, crescemos.

Por isso, nesse tempo em que o sentimento humanitário de irmandade entre povos e grupos mingua a olhos vistos, gostaria de desejar que as pessoas voltassem a dar um voto de confiança no desconhecido. Que erguessem menos muros, físicos e psicológicos, dizendo mais SIM para pessoas diferentes e para novas experiências. Que escolhessem mais se conectar de forma aberta e real com pessoas diversas, ao invés de segregá-las por similaridades forjadas.

Vejo um mundo tão mais rico e pacífico dessa forma…

E não custa lembrar que desde um ponto de vista (bem) mais alto do que o comumente adotado nos embates políticos e filosóficos de todos os tempos, as diferenças baseada em credo, cor, sexo, geografia, espécie ou qualquer outro parâmetro humano, são a mais pura ilusão:

“Na forma de mitos, todas as religiões revelam de alguma forma a origem divina da humanidade. Em algum ponto da história, no entanto, a convicção de que certas raças ou categorias de pessoas eram inferiores encontrou uma forma de adentrar algumas destas religiões, e elas começaram a excluir ou oprimir tais grupos. Jesus foi muito excepcional porque veio para proclamar que qualquer que seja a sua raça, cultura ou status social, todos os seres humanos são essencialmente iguais perante Deus. As diferenças que eles manifestam são apenas superficiais e passageiras: suas qualidades físicas, intelectuais, morais e espirituais, os eventos de suas vidas, tudo o que, de uma forma ou de outra, faz com que alguns pareçam privilegiados e outros não, representa apenas um momento na sua evolução. Seres humanos são irmãos e irmãs por meio da vida que compartilham, por meio da vida divina que flui neles. Esta vida divina torna-os irmãos e irmãs de toda a criação também.”
(Omraam M. Aïvanhov, Meditação Diária de 10/11/2005)

A decisão de realizar uma mamoplastia de aumento

Tendo vindo ocupar nesta vida um corpo de mulher com mamas pequenas, sempre vivi ao longo do tempo em relativa paz com minha figura física. Foi somente agora, aos 37, que comecei a cogitar seriamente a realização de uma mamoplastia de aumento.

Historicamente eu tinha uma boa carga de preconceito contra intervenções plásticas em geral. Eu pensava que a beleza era um processo que deveria acontecer de dentro para fora, e o que restasse de desarmônico no visual deveria ser trabalhado pela autoaceitação. O caminho contrário, do tentar arrumar a aparência por fora para se sentir bem por dentro me parecia antinatural e insustentável.

Nada como uma boa solapada prática para colocar as nossas certezas teóricas em cheque.

Aos 32 anos me tornei mãe de uma linda menina, que hoje tem 5 aninhos. Tive a felicidade de poder amamentá-la até os dois anos de idade. Na época, meus seios estavam lindos e fartos (e o resto do corpo também bem redondindo, rs). Eu me sentia feliz, pois aquela forma arredondada e líquida refletia bem meu estado interior, mais maternal, mais Yin do que eu jamais estivera nessa vida.

Não só pela maternidade, mas principalmente por ela, eu passava na época por um processo psíquico de equilibração muito importante para mim. Gradualmente eu vinha deixando de ser uma mulher intelectualmente aguerrida e focada no trabalho, e passava a ser mais atenta às pessoas e aos relacionamentos mais próximos. Diminuía meu afã de deixar marcas memoráveis no mundo e me colocava mais à disposição para acolher em quietude as necessidades dos que participam diretamente da minha vida. Eu começava a ficar mais à vontade na minha própria pele de mãe, filha, esposa, amiga, irmã.

A bebê foi crescendo, desmamou aos dois anos completos, e meus seios gradualmente foram diminuíndo conforme o corpo retornava à normalidade pós gravidez. Já não eram apenas pequenos, agora haviam se tornado um pouco flácidos também. Até aí tudo bem, nada que me motivasse a pensar em cirurgia ainda. Porém quando fiz 37 anos, passei também por uma mudança alimentar significativa (alimentação plant-based) aliada a exercícios físicos moderados quase diariamente. O resultado é que em alguns meses perdi uma quantidade considerável de gordura corporal. Isso foi ótimo, porém a pouca gordura que restava na mama começou a secar também 🙁

Comecei então a me desgostar quando me via no espelho, principalmente de biquíni, de top ou busto nu. Incomodava que me sentisse bonita apenas de roupa, recorrendo ao truque do sutiã de bojo (que ficava cada vez mais vazio). Até que me peguei, numa noite insone, pesquisando sobre prótese de mamas. Em seguida, num encontro de amigas, conversei com uma amiga querida sobre a mamoplastia que ela havia feito anos atrás (e que ficara linda!).

Do início da pesquisa à primeira consulta com o Dr. Samuel Colman devem ter se passado uns dez dias. Nem quis ficar consultando outros profissionais, pois além de ter tido ótimas referências dele, gostei muito da energia que senti no seu trabalho. O Dr. Samuel é um cirurgião experiente que tem uma visão ampla da saúde humana, integrando as técnicas da medicina ocidental mais avançadas com elementos da sabedoria espiritual milenar no trato com seus pacientes. Eu sentia que estava entregando o meu desejo de harmonização estética nas melhores mãos possíveis.

Em quinze dias, já tínhamos a data marcada e tudo planejado. Eu estava bem ansiosa ainda, pois em uma consulta não é possível sanar todas as dúvidas. Embora a equipe da clínica tenha se colocado à disposição para esclarecer tudo, minha cabeça estava a mil, pensando em todas as possibilidades de volume, formato, local de incisão, a cirurgia em si (nunca tinha levado anestesia geral antes), as restrições pós operatórias, e principalmente, percebendo um sentimento de culpa querendo se infiltrar e me dizer que eu não deveria agredir meu corpo assim, que o certo era eu me aceitar como estava. Eu sentia bastante medo de me arrepender.

Com o apoio de amigos e entes queridos, depois de uma segunda consulta pré cirúrgica eu passei a ficar mais tranquila e otimista (obrigada pelo apoio, pessoal!).

Tudo correu muito bem e hoje, 12 dias após a operação, estou muito feliz com o resultado (cujo visual só se consolida mesmo depois de alguns meses de adaptação do corpo à prótese). Ficou bonito, embora ainda discreto, do jeito que eu queria, num resultado que caiu bem na minha figura relativamente pequena.

Há pouco de vaidade na minha felicidade; e muito de satisfação com o fato de essa mudança externa estar em harmonia com as mudanças internas pelas quais passei nos últimos anos. É como se agora a minha figura externa refletisse melhor a minha disposição interna.

Recorri enfim, para minha própria surpresa, a um truque da ciência para me sentir mais bonita. E diferente do que eu julgava em outros tempos, descobri que esses truques podem sim ser muito bem vindos como um complemento à saúde emocional. Eles podem ajudar no resgate da autoestima verdadeira, desde que ela já esteja acontecendo também como um processo interno da alma.

Amor de mãe

Linda declaração de uma mãe à sua criança, traduzida e adaptada do original em Inglês.

Querida filha,

Estou com você.

Eu estava com você quando estava na minha barriga. Estava inchada, pesada, cansada, me sentindo como um alce, mas estava com você.

Eu estava com você nos segundos, minutos e horas do parto, quando eu realmente achava que não conseguiria continuar.

Eu estava com você quando a abraçei e cuidei, e cheirei a sua pele perfeita pela primeira vez.

Eu estava com você às 3h e novamente às 3:45. Eu estava com você quando tropecei no escuro para tirá-la do seu berço. Eu estava com você quando eu negociava com Deus para você dormir.

Eu estava com você quando chorei porque estava muito cansada, e minhas calças não entravam, e não tinha tempo nem para escovar os cabelos.

Eu estou com você quando você se infiltra na minha cama à noite e sou empurrada para a beirada do colchão.

Estou com você quando você dá um escândalo por algo que deseja, e quando você age como se eu estivesse tentando lhe envenenar com o jantar.

Estou com você quando você revira os olhos e se afasta. Eu sempre estarei com você meu amor, não importa o quão brava fique comigo.

Estou com você quando nos aconchegamos no sofá e assistimos a um filme.

Estou com você quando me faz um milhão de perguntas antes de eu ter bebido o meu primeiro gole de café.

Eu estou com você quando estou mal humorada e você percebe. Estou com você quando estou impaciente e reclamando de coisas tolas como comida no sofá.

Estou com você quando você perde suas meias e sapatos e já estamos quinze minutos atrasadas.

Estou com você quando quer um abraço, e quando não quer também.

Eu nem sempre acerto; muitas vezes erro, mas estarei com você para sempre, não importa o quê.

Estarei com você se você receber boas notas, e estarei com você se estiver com dificuldade na escola.

Estarei com você quando você tiver sucesso e estarei com você quando você cometer centenas de erros.

Eu também cometi, meu amor, e entendo melhor do que você sabe.

Estarei com você se você se tornar uma astronauta, ou uma professora, ou uma pessoa que está apenas batalhando para encontrar o seu caminho. Todos batalhamos, meu amor. Você nunca pode me decepcionar, porque sou sua fã.

Você não tem que conquistar nada, e nem nada para provar.

Estou aqui para sempre.

Não há nada que você possa fazer que possa me afastar um passo de você.

Nunca.

Você é a minha querida sempre, para sempre.

Eu escolheria você antes de cada noite repousante e cada dia indolor, mil vezes novamente.

Com amor,

Mamãe.

Quando me amei de verdade

Trechos do livro de Kim McMillen, When I loved myself enough (1996)

“Quando me amei de verdade
pude compreender que, em qualquer circunstância,
eu estava no lugar certo,na hora certa.
E então pude relaxar.

Quando me amei de verdade
pude perceber que o sofrimento emocional
é um sinal de que estou indo
contra a minha verdade.

Quando me amei de verdade
parei de desejar que a minha vida fosse diferente
e comecei a ver que tudo o que acontece
contribui para o meu crescimento.

Quando me amei de verdade
comecei a perceber como é ofensivo
tentar forçar alguma coisa ou alguém
que ainda não está preparado.
– inclusive eu mesma.

Quando me amei de verdade
comecei a me livrar de tudo que não fosse saudável.
Isso quer dizer: pessoas, tarefas, crenças –
e qualquer coisa que me pusesse pra baixo.
Minha razão chamou isso de egoísmo.
Mas hoje eu sei que é amor-próprio.

Quando me amei de verdade
deixei de temer meu tempo livre
e desisti de fazer planos.
Hoje faço o que acho certo
e no meu próprio ritmo.
Como isso é bom!

Quando me amei de verdade
desisti de querer ter sempre razão,
e com isso errei muito menos vezes.

Quando me amei de verdade
desisti de ficar revivendo o passado
e de me preocupar com o futuro.
Isso me mantém no presente,
que é onde a vida acontece.

Quando me amei de verdade
percebi que a minha mente
pode me atormentar e me decepcionar.
Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração,
ela se torna uma grande e valiosa aliada.”

Peter Deunov – A Lei do Amor

Peter Deunov (também conhecido por seu nome iniciático Beinsa Douno), foi um mestre espiritual que viveu entre os anos de 1864 e 1944 na Bulgária, onde liderou estudos e práticas espirituais inspirados principalmente na filosofia do Cristianismo Esotérico.

O extrato a seguir foi retirado do livro The Wellspring of Good – The last words of the Master, disponível em Inglês para download neste link . Tradução para o Português por Samantha Sabel.

A Lei do Amor

[Introdução do editor]: Independentemente das muitas conquistas que foram realizadas por pessoas hoje nas áreas da ciência, artes, tecnologia, bem-estar social e distribuição de recursos econômicos – uma coisa ainda está faltando: o Amor. Somente através do Amor podem todas essas realizações serem benéficas, de grande valor para todos. Somente através do Amor podem ser usadas de tal maneira que tenham significado. Se as pessoas não abraçarem o Amor, perderão tudo e experimentarão a ruína.

O Mestre pregou sobre o Amor como o caminho da salvação para toda a humanidade. Ele revelou suas manifestações, qualidades, ações e Leis, bem como a riqueza infinita do mundo perfeito do qual este Amor veio. Ele testemunhou este mundo com sua vida, seu ensinamento, e todas as suas ações.

O Mestre sempre tinha algo de novo a dizer sobre o Amor. Um dia, ele nos disse:

“No momento em que alcançarmos o Amor, seremos um com Deus. Quando falo sobre o Amor, você precisa entender isso. Estou falando do único jeito de conhecer Deus. Se não viermos a conhecer Deus, ele não poderá nos dar o seu Conhecimento.

A Lei afirma: quando você falar sobre Amor, fale com a sua voz mais suave. Fale tão suavemente que você mal consiga ser ouvido. E fale suavemente sobre a Luz e a Sabedoria também. Fale tão suavemente quanto o amanhecer.

As Virtudes Divinas têm sua fragrância. Se a Justiça entrar em seu coração, a Verdade em sua mente e a Sacralidade em seu poder, você vai emitir uma fragrância interior mais agradável do que a das flores. Essa fragrância interior, esse sublime aroma, é chamado de ‘nyuks’. Não há néctar melhor do que este criado pela natureza. Os alquimistas procuraram esse elemento há séculos. Quando você descobri-lo, você será uma pessoa feliz, e sua alegria será além das palavras. O Amor é o principal componente neste néctar. Por exemplo, você sabe quem te ama, mesmo quando essa pessoa não pronunciou uma palavra. O Amor tem uma fragrância forte como a do cravo; você pode sentir de longe.

Existe uma Lei na Vida, a Lei da Diversidade, pela qual todos podem manifestar o Amor segundo a sua compreensão, e eles nunca farão o que é errado. Portanto, não é necessário ensinar as pessoas a amar.

Outra característica única do Amor é que você não pode expressar Amor da mesma maneira para todos. Seu Amor para cada pessoa é única. Porque cada pessoa é uma manifestação única de Deus, cada um manifesta seu Amor de uma maneira específica. Você pode sentir essa distinção sutil. O seu Amor tem uma qualidade única e intrínseca que nenhuma outra pessoa possui. É isso que torna cada pessoa única.

O Amor primeiro se manifesta para Deus – para o Sublime – então para os fracos, necessitados, abandonados e, finalmente, seres afins. Esta última manifestação de Amor é chamada de ‘Amor de seres semelhantes’. Neste Amor existe uma troca entre as almas. Este é o Amor em seu estado de ascensão, através do qual as almas são capazes de evoluir e a consciência é capaz de se expandir.

Se uma pessoa boa mas de caráter fraco se enamorar por alguém que está na escuridão, a pessoa boa começará a errar e a assumir as falhas do outro. No entanto, se uma pessoa boa experimenta o Amor Divino, isso não acontecerá.

Para habitar na presença do Amor, deve-se tomar o caminho da ascensão; isto é, deve-se entrar em união com o Mundo Invisível e com Deus. Uma boa pessoa é aquela que está unida com aqueles que são poderosos, com aqueles que vêm do Alto. Se não estiver, tirarão vantagens dela pelo fato de ser boa. E no entanto, quando você está unido com aqueles que são poderosos – com o Divino – toda a sua riqueza será depositada no Banco Divino e você se tornará protegido.

Existe uma Lei que afirma: quando duas pessoas se gostam ou se desprezam mutuamente, receberão uma da outra os traços de caráter mais positivos e virtuosos no início, e depois isso, os traços de caráter mais negativos e imorais. Isto é uma Lei inextricável. Independentemente de você gostar ou desprezar uma pessoa, você começará a se comportar como ela. Você pergunta: ‘O que posso fazer para me libertar desta Lei?’ Você não pode se libertar desta lei. Mas você pode amar o Divino dentro de cada ser humano. Portanto, ame a Deus dentro de quem Ele mesmo se manifesta, para que você possa começar a amar como Ele faz. Por esta razão, Comece a amar o Divino em todos os seres.

Outra Lei do Amor afirma: quando você ama outro, você recebe a metade do seu estado bom ou ruim. Se ele se tornar empobrecido, você também se tornará pobre; se ele se tornar rico, você adquirirá metade de sua riqueza.

Outra Lei afirma: Mesmo que todos o desprezem, haverá sempre quem te ama. Quando todos começam a amá-lo, sempre haverá pelo menos um que não o ama. Isto não pode ser evitado. Esta Lei baseia-se no nosso nível atual de desenvolvimento.

Você conhece uma pessoa que parece amar você. Por que ele te ama? Houve um tempo em que você quis que ele te amasse e agora, ele ama você. Incompreensíveis são os caminhos de Deus.

Uma Lei é afirmada da seguinte maneira: quando você percebe a coisa mais sublime dentro de alguém, essa pessoa se sentirá atraída por você.

Outra Lei do Amor afirma: aquele que permanece no Amor terá o poder de atrair outros para si mesmo. Se ele passar por uma pessoa, isso é suficiente para ser seguido. No entanto, a pessoa que permanece no Amor só será reconhecida por aqueles cuja consciência foi despertada. Mas, para aqueles que não foram despertados, ele é considerado uma pessoa comum. Aquele que permanece no Amor pode ser comparado a uma flor em florescência que atrai as abelhas. Por que todos são atraídos por esta flor? É porque há algo que podem receber dela. Isto é o que representa o Amor, a vida ideal. Se a Lei do Amor nos fosse transmitida, teríamos o poder de atrair os outros. Uma das suas atribuições é receber de Deus e transmitir a outros o que foi recebido. Quando você ama alguém, é porque outras pessoas te amam, e com esse Amor você o ama. Esta é a Lei da Unicidade do Amor.

Quando eu digo que amo alguém, é porque eu sei que este Amor já chegou à realização. Poderia ter chegado à realização no plano físico, no plano espiritual ou no mundo divino.”

Um irmão perguntou: ‘Como o Amor é capaz de se contaminar?’ O Mestre respondeu:

“Todos os pensamentos que alcançam você se tornam seu ambiente pessoal. Quando o Amor entra neste ambiente, ele absorve a influência dos seus pensamentos negativos e dessa maneira se torna contaminado.

Uma Lei do Amor reina suprema: aquele que te ama se alegra com a menor coisa que você oferece. Aquele que te ama pode te dar uma pequena semente, e você deve se alegrar com ela pois algo grande será gerado. Apenas o Amor é capaz de criar algo excelente da menor das coisas. Sempre que uma pessoa habita fora do Amor, as coisas mais grandiosas irão diminuir. E, no entanto, quando uma pessoa reside no Amor, a menor das coisas crescerá.

Todos nós precisamos testar essas coisas.”

Beinsa Douno (Peter Deunov)

Rosa vermelha sob a luz da aurora.

Moana, um conto solar

Uma das vantagens de ser mãe de criança pequena é o contato com produções artísticas e culturais de qualidade voltadas para esse público. Produções que de outro modo talvez não priorizaríamos prestigiar, achando, desde nosso lugar de adultos, tratar-se apenas de mais um ‘desenho infantil’.

Quero escrever então uma recomendação para que todos que gostam de se sentir elevados e inspirados assistam a uma animação que vi junto com minha filha há algumas semanas. Os sentimentos positivos trazidos pela produção Moana (2017), dos estúdios Disney, continuam reverberando toda vez que paro para lembrar dessa alegre estória.

Moana conta a saga a de uma menina que cresce em uma ilha do Oceano Pacífico, designada a ocupar por direito de nascimento o posto de chefe da sua tribo. Mas Moana vive um dilema de alma: parte dela ama a vida que está destinada a ter na sua ilha natal, enquanto outra parte, a intuição do seu coração, chama-a para se aventurar em mares desconhecidos. Moana tem uma relação especial com o mar e a navegação; o horizonte misterioso exerce sobre si uma tração irresistível que de início parece estar em contradição com o papel tradicional que precisa ocupar na sua tribo.

Ao longo da estória a moça vai descobrindo, com o auxílio de sua sábia avó xamã, o significado deste seu chamado intuitivo. Entregando-se para uma aventura cheia de magia e espiritualidade, Moana descobre uma forma de reconciliar o seu profundo dilema cumprindo o seu papel de forma surpreendente, resgatando a esperança do seu povo unindo ao mesmo tempo coragem inovadora e tradições há muito esquecidas.

A trama de Moana é sensivelmente inserida em uma simbologia antiga, xamânica e solar, e certamente foi escrita por alguém que não passa ao largo desse tipo de tema. É uma producao de qualidade rara, cheia de beleza sutil e simbologia espiritual, capaz de deixar qualquer adulto encantado, mais talvez do que as próprias crianças.

E para terminar, deixo os links da música tema da menina Moana no original em Inglês e na versão em Português.